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Correio da Manhã

Portugal

PORTAS ANUNCIA RENOVAÇÃO DO CAMPO DE BATALHA

Primeiro caíram as flechas e os virotões, depois as armas de mão e o corpo-a-corpo fizeram o resto e a carga de cavalaria castelhana transformou--se numa sangrenta confusão. Quando o sol de 14 de Agosto de 1385 desapareceu de Aljubarrota o exército de D. João de Castela já deixara de existir.
14 de Agosto de 2003 às 00:00
Em Aljubarrota deu-se um passo decisivo para a independência de Portugal
Em Aljubarrota deu-se um passo decisivo para a independência de Portugal FOTO: arquivo cm
Castela vestiu-se de negro, mas em Portugal o rei D. João I e o condestável Nuno Álvares festejavam uma vitória que muitos julgavam impossível, num passo decisivo para a independência do Reino.
Desde então Aljubarrota transformou-se num ‘solo sagrado’, memória de um País europeu periférico e com escassos recursos, e que ainda hoje se sente ameaçado pelo poderoso e cada vez mais dinâmico vizinho. E é em Aljubarrota que o ministro da Defesa, Paulo Portas, vai estar hoje à tarde. O objectivo é assinar um protocolo com a Fundação Batalha de Aljubarrota para recuperação do local histórico, no sentido de chamar mais visitantes. Mas vai também fazê-lo depois de uma manhã passada nas cerimónias militares de Mafra, dias após ter chamado um novo chefe do Exército, que continua à espera de uma reforma.
E a verdade é que a força que D. João I e Nuno Álvares Pereira puseram em Aljubarrota era completamente nova nos cânones medievais ibéricos. Nunca nenhuma batalha decisiva tinha visto até então a nobreza pôr o pé em terra e abandonar a carga para travar uma batalha defensiva, numa acção de conjugação com os projécteis dos arcos e das bestas da peonagem. Ensinamentos que os portugueses terão bebido junto dos aliados ingleses, então envolvidos na Guerra dos Cem Anos contra os franceses. Neste sentido, Aljubarrota foi revolucionária, tendo em conta a derrota da mentalidade do cavaleiro medieval, mais virada para o combate e feitos individuais e para o resgate do que para objectivos e disciplina de conjunto. Curiosamente, século e meio depois a Espanha já dispunha da melhor infantaria europeia, enquanto Portugal começava a entrar em queda. E actualmente é o que se sabe.
AS 'GUERRAS' DA ACTUALIDADE'
PESCAS
A abertura das águas portuguesas à frota espanhola, até ao limite das 12 milhas, é uma questão que tem de ficar resolvida até ao próximo mês de Setembro. A Comissão Europeia considera que se trata de um problema bilateral que terá de ser resolvido entre os dois países.
BANCA
A imprensa espanhola não se coibiu de chamar a Portugal a “República das Bananas” quando o governo de Guterres colocou obstáculos à compra dos bancos de António Champalimaud pelo Grupo Santander. Os bancos espanhóis têm uma importante quota do mercado nacional.
COMÉRCIO
A nossa balança de transacções correntes é altamente deficitária em relação a Espanha. O país vizinho é já o nosso mais importante parceiro comercial. No que se refere às importações, o destaque vai para os produtos do sector agro-alimentar, em que Espanha é uma potência.
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