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Correio da Manhã

Portugal
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Portugal atrai médicos

O número de médicos estrangeiros a trabalhar nos hospitais e centros de saúde portugueses tem vindo a aumentar nos últimos anos. Dados do Ministério da Saúde indicam que até ao final de 2006 trabalhavam no Serviço Nacional de Saúde um total de 1991 médicos e cerca de dois mil enfermeiros estrangeiros.
4 de Maio de 2007 às 00:00
A saída de profissionais espanhóis é tão grande que está já a alarmar os organismos oficiais do país vizinho. Por exemplo, só da província de Huelva imigraram 50 médicos nos últimos dois anos.
O ministro da Saúde português, Correia de Campos, já manifestou a possibilidade de poderem vir a ser admitidos uma média de cem médicos estrangeiros por ano. Um motivo de preocupação para Juan Luis González, presidente do Colegio Oficial de Huelva, que não tem dúvidas de que Portugal passou a ser o destino preferido dos médicos que procuram uma vida profissional fora da província, com melhores incentivos económicos e mais estabilidade.
URGÊNCIAS DESFALCADAS
Para ilustrar a importância da saída de 50 médicos de uma província com a dimensão de Huelva, Juan González diz que isso equivale a duas vezes a equipa de serviço de Urgência de um hospital central ou que esse número podia dar resposta a outro tipo de contingência assistencial, como baixas e férias.
Cerca de dois mil enfermeiros espanhóis seguiram o caminho dos colegas médicos. Contudo, a entrada destes profissionais foi travada, levando-os a optar por empregos noutras regiões espanholas.
Quem abre os braços aos médicos estrangeiros são, essencialmente, as unidades de saúde afastadas das zonas mais populosas do País, pois é aí que é sentida a maior carência.
Carlos Reis, director do Centro de Saúde de Sines, com uma extensão de saúde em Porto Covo, conhece bem a realidade da carência de médicos. Devia ter 15 clínicos gerais no quadro mas tem apenas oito e um de saúde pública, para cerca de 16 mil utentes inscritos.
Trabalharam naquela unidade de saúde três médicos espanhóis e um brasileiro. Só ficou o último, pois os restantes concorreram a vagas no Algarve, onde foram colocados, apesar do alojamento disponibilizado pela autarquia. “Todos os médicos estrangeiros são bem-vindos, assim fosse possível abrir vagas para concurso para poderem vir para aqui”, sublinhou Carlos Reis ao CM.
Aquele responsável lembra que os médicos espanhóis se “adaptaram muito bem e não tiveram dificuldades nas consultas com os utentes”. Para isso contribuíram as “as explicações de língua portuguesa” que foram dadas por residentes locais, jovens licenciados e com disponibilidade para ajudar os clínicos.
No início de Junho entra ao serviço uma nova médica espanhola em Sines.
PROJECTO RECUPERA MÉDICOS
Um projecto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e apoiado pelo Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados permitiu que 106 médicos estrangeiros, de entre 120 candidatos, retomassem no ano passado as carreiras profissionais, interrompidas quando saíram dos países de origem. Rosário Farmhouse, directora daquele organismo, disse ao CM esperar que um novo projecto arranque este ano para médicos, enquanto outro projecto dirigido a enfermeiros já foi concluído, tendo sido seleccionados 55 enfermeiros das várias centenas de candidaturas recebidas. “Os médicos vêm essencialmente dos países de Leste [Moldávia e Ucrânia], de Cuba, da Guiné e da Albânia. Os enfermeiros vêm dos países do Leste europeu.” Até hoje, o Serviço de Refugiados prestou apoio a mais de sete mil imigrantes.
ENFERMEIROS EM PROTESTO
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) retoma hoje, numa acção de rua em Santiago do Cacém (Setúbal), as críticas à precariedade laboral que afecta dois terços daqueles profissionais no Hospital do Litoral Alentejano (HLA). Pedro Frias, dirigente do SEP, explicou que os enfermeiros do HLA vão distribuir hoje à população um “panfleto a denunciar a situação, com contornos graves”, que se vive na unidade hospitalar. A iniciativa, à porta do HLA, conta com a colaboração da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do concelho que, por sua vez, irá distribuir o mesmo documento na cidade.
“Esta distribuição dos panfletos serve, sobretudo, para demonstrar a quem é servido pelo hospital [os utentes] a situação caótica dos enfermeiros e os constrangimentos causados pela precariedade laboral em que vivem”, frisou o sindicalista. Segundo o sindicato, dos 170 enfermeiros, 110 (dois terços) estão com “contratos a termo certo”, o que corresponde a um vínculo “precário e instável”.
SAIBA MAIS
106 médicos estrangeiros estão actualmente a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, na maioria dos casos a exercer clínica geral. Em breve, 55 enfermeiros de outras nacionalidades também desempenharão funções.
100 vagas/ano para profissionais estrangeiros é o número que o Ministério da Saúde admitiu poder vir a abrir.
EQUIVALÊNCIA
Para que os médicos estrangeiros possam exercer Medicina em Portugal devem fazer um exame de equivalência numa das faculdades de Medicina do País.
LÍNGUA
O domínio da língua portuguesa é indispensável para os clínicos estrangeiros exercerem.
ORDEM
Só após garantidas as exigências de equivalência e domínio da língua portuguesa a Ordem dos Médicos aprova a certificação e autoriza o exercício clínico.
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