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Correio da Manhã

Portugal
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Portugal foi palco de tráfico de arte nazi durante a II Guerra Mundial

Investigador português concluiu, após pesquisa em arquivos norte-americanos, que Portugal era um centro de passagem e de negócio internacional para venda de obras apreendidas a judeus ou nos territórios ocupados.
1 de Março de 2014 às 12:38
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Lisboa, nazis, tráfico de arte, II Guerra Mundial, Carlos Guerreiro, Vincent Van Gogh, FOTO: Direitos Reservados

Portugal foi um centro de passagem de obras artísticas durante a II Guerra Mundial, funcionando como um "território para traficantes" de arte a soldo da Alemanha nazi, afirmou à Lusa o jornalista e investigador Carlos Guerreiro.

O investigador e autor do livro "Aterrem em Portugal", sobre a aviação de guerra durante o conflito, explicou que "os nazis tinham a Unidade Rosenberg que era responsável pela recolha dos quadros para a construção do futuro museu de Linz, na Áustria, e atuava nos países ocupados. Recolhia os quadros pilhados e que poderiam interessar mas depois toda a 'arte degenerada' era entregue a negociantes de arte escolhidos a dedo e da confiança do regime que depois transformavam os quadros em divisas, sobretudo as obras de autores judeus". O dinheiro arrecadado com o tráfico era depois enviado para Berlim.

No seu blog (http://aterrememportugal.blogspot.pt/), Carlos Guerreiro publicou uma série de textos sobre a passagem por Lisboa de quadros famosos que acabaram depois por ser vendidos nos Estados Unidos, destacando a presença na capital portuguesa de "traficantes" como Jean Rolland Ostins, um francês colaboracionista e com fortes ligações ao regime de Vichy do marechal Pétain. "Cartas intercetadas pelos serviços americanos revelam negócios com quadros e outros objetos através de uma rede de negociantes e amigos que se estende da Europa para a América do Sul e para os Estados Unidos. Um desses sócios, instalado em Nova Iorque procura, por exemplo, sensibilizar Ostins para encontrar e enviar quadros 'com qualidade de museu', deixando claro que telas de 'Rogault (Romualdo) ou de Picasso' são as que melhor se vendem", escreve Carlos Guerreiro.

"Os negociantes transformavam-se em traficantes que levavam os quadros para onde havia mercado o que fez, por exemplo, que os ingleses tivessem imposto licenças de exportação, antes da entrada dos Estados Unidos na guerra", diz Carlos Guerreiro. De acordo com o jornalista e investigador, quando os Estados Unidos declaram guerra à Alemanha os cuidados com os negócios de arte foram redobrados, até porque o circuito que passava por Lisboa e pelo sul de França acabou por ser afetado.

Carlos Guerreiro destaca também a passagem por Lisboa de um quadro do pintor holandês Vincent Van Gogh de um comerciante de arte judeu alemão que já tinha fugido de Berlim para Paris e que depois escapa para a Suíça e finalmente Lisboa, tendo conseguido salvar oito quadros de uma "valiosa coleção". O vendedor consegue uma licença de exportação da obra de arte para poder transportar o quadro para os Estados Unidos que é vendido a um "marchant" de Nova Iorque, em 1943, e depois da guerra ao ator de cinema norte-americano Errol Flynn, por 32 mil dólares.

O mesmo quadro - que passou por Lisboa - acabou por render 20 milhões de euros num leilão realizado no passado mês de janeiro, em Londres.

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