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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGAL JÁ DETECTA ATÍPICA EM 3 HORAS

Portugal já tem os testes que conseguem identificar o vírus da pneumonia atípica em apenas 3 horas. Os testes, que vieram da Alemanha, são feitos numa sala de alta segurança no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa.
27 de Abril de 2003 às 00:00
Os hospitais onde surjam casos suspeitos recolhem secreções respiratórias e sangue aos doentes e enviam-nos para este Instituto que, no máximo, em 180 minutos, anuncia às autoridades se a doença se confirma.
“É um teste muito específico para o novo coronavírus , o agente da síndroma respiratória aguda, conhecido como pneumonia atípica”, explicou ao CM o subdirector-geral de Saúde, Francisco George. Segundo o responsável,“trata-se de um exame molecular, uma espécie de ADN, que permite identificar se o vírus está presente na secreção”.
Por ser uma doença mortal, a realização dos testes é feita em alta segurança. O director-geral de Saúde, Pereira Miguel explica que “no Instituto Ricardo Jorge existe uma câmara, uma sala “P3”, que é de total e completa segurança, pois os produtos com os quais se fazem os testes são de elevado risco”. Pereira Miguel recorda que “têm sido feito vários testes, mas até agora apenas surgiram casos suspeitos da doença que não se confirmaram”.
Caso o teste apresente resultado positivo, o Instituto Ricardo Jorge está também preparado para realizar outros testes de confirmação da doença, que estão, no entanto, a ser melhorados a nível internacional .
Uma das responsáveis pelo laboratório do Instituto Ricardo Jorge que faz estes perigosos testes é Helena Rebelo de Andrade.
A responsável explicou ao CM que “estes testes, de detecção do vírus em tempo real, vieram da Alemanha, onde foram desenvolvidos por um Instituto em Hamburgo com o qual Portugal tem um protocolo de colaboração.
O director-geral de Saúde garante que nem todos os países dispõem deste tipo de teste de detecção rápida: “Estamos na vanguarda. Há alguns tipos de testes desenvolvidos em alguns países e nós somos dos primeiros a ter esses testes”. Pereira Miguel adianta que ao ter estes testes Portugal pode rapidamente detectar a doença e impossibilitar a sua propagação.
Desde que os testes chegaram, há já pelo menos uma semana, todos os casos suspeitos que aparecem nos hospitais têm sido sujeitos a recolha de análises que são enviadas para aquele laboratório. É o caso de uma jovem de 13 anos que ontem estava internada em Viana do Castelo, de uma mulher de 63 anos que esteve no Hospital de Aveiro e de um homem que esteve em isolamento no Hospital Egas Moniz.
Todos estes casos, em poucas horas, foram resolvidos, com o Instituto Ricardo Jorge a afastar, por agora, a existência da pneumonia atípica em Portugal.
GOVERNIO PREPARA HOSPITAIS
O Governo está a preparar unidades em hospitais para fazerem face a casos de pneumonia atípica, disse o ministro da Saúde, que garantiu não existir em Portugal uma "situação de alarme" em relação à doença.
As medidas que o Ministério da Saúde está a tomar, adiantou Luís Filipe Pereira após o Conselho de Ministros, situam-se no quadro da prudência, uma vez que não foi ainda confirmado em Portugal um único caso de pneumonia atípica.
Além dos hospitais de Faro, Santa Maria (Lisboa) e S. João (Porto), que têm "condições mais específicas e rigorosas" para tratar eventuais casos, o Governo quer que outros hospitais tenham unidades preparadas em específico para tratar, numa primeira fase, suspeitas de pneumonia atípica, até mesmo para "evitar o contágio" entre utentes dentro da instituição hospitalar.
O INEM, adiantou o ministro, "também tem indicações precisas para actuar". "Estamos a acompanhar e fiz uma exposição ao Conselho de Ministros. Não há uma situação de alarme mas temos de ser prudentes”.
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