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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGAL PAGA POR CONTRATO FALSO COM POLÓNIA

As Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento (OGFE) tiveram um prejuízo de cerca de dez milhões de euros devido a um contrato falso de fornecimento de material ao exército polaco, alegadamente assinado por um ministro da Defesa daquele país que já tinha abandonado o cargo há dois anos.
20 de Fevereiro de 2003 às 12:15
Segundo revela hoje o jornal "Público", o contrato, no valor de 90 milhões de euros, implicava o fornecimento de fardas militares ao exército polaco e foi autorizado a 22 de Abril de 1999 por José Penedos, então secretário de Estado da Defesa Nacional.

Uma fonte da embaixada da Polónia em Lisboa adiantou ao “Público” que foram usados documentos falsos e que as autoridades do seu país colaboraram com Portugal na detenção de um negociante de armas italiano, Ricardo Privitera, que foi extraditado para o nosso país no passado dia 14.

Privitera terá feito declarações que implicam a participação de dois generais portugueses, um no activo e outro na reserva, e outros oficiais de alta patente.

O contrato com o exército polaco continha uma cláusula de confidencialidade que implicava o accionamento de uma garantia bancária à primeira solicitação, o que aconteceu quando um jornal austríaco referiu o caso.

As OGFE (vulgo Casão Militar) perderam assim cerca de dez milhões de euros e Ricardo Pritivera recebeu duas comissões no valor de 2,5 milhões de euros cada. Um banco do grupo BCP terá participado na transacção.

Na altura do negócio, não parecem ter levantado suspeitas o facto de grande parte dos documentos emitidos estarem em polaco, sem a respectiva tradução, nem o tipo de fardamento que iria ser fornecido (para climas tropicais) a um exército que opera em condições climatéricas de grande rigor.
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