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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGAL QUER MAIS ALERTAS PARA JOVENS

O novo coordenador da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida (CNLCS), António Meliço Silvestre, defendeu ontem que Portugal deve lançar nesta área uma campanha de esclarecimento dos jovens, que registam uma forte incidência de infecções.
17 de Julho de 2003 às 00:23
O responsável falava em Paris, depois de ter assistido à 2.ª conferência da International Aids Society (IAS) sobre a sida, que terminou ontem.
No entanto, o discurso de encerramento da conferência do presidente francês, Jacques Chirac, foi perturbado por alguns manifestantes que pediram maior empenho da França nesta questão. O presidente francês teve mesmo de aguardar alguns minutos para que os seguranças retirassem da sala os manifestantes, que gritavam "Vergonha, vergonha".
Meliço Silvestre, por seu lado, referiu que a infecção com o vírus VIH em Portugal tem tido uma "maior incidência nos jovens a partir dos 18 anos". Silvestre salientou ainda a necessidade de direccionar informação igualmente para os toxicodependentes e para os heterossexuais, os quais "não têm consciência" de que podem ser seropositivos.
A necessidade de reforçar as campanhas de sensibilização sobre a sida em Portugal está relacionada com a dificuldade em identificar o número exacto de seropositivos, que o coordenador indigitado estima "entre 30 mil e 40 mil pessoas", enquanto o número de doentes com sida é actualmente de nove mil pessoas.
Em Paris, Meliço Silvestre assistiu à intervenção do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, que apresentou alguns dos resultados encorajadores do programa brasileiro de combate à epidemia e a mobilização da sociedade que conseguiu no seu país.
Exemplo brasileiro
"Convidei-o a ir a Portugal apresentar o programa brasileiro", ao qual Cardoso respondeu positivamente. “Ele foi muito simpático, disse que passa de quatro em quatro meses em Portugal, por isso resta definir uma data", adiantou.
Meliço Silvestre anunciou que vai analisar como é que as autoridades brasileiras conseguiram baixar a taxa de seropositivos para metade das previstas pelas organizações internacionais.
Acrescentou ainda querer encontrar a forma de combater a posição de Portugal, que se encontra na cauda da Europa nesta área, uma vez que apresenta números elevados de cidadãos contaminados com o vírus, nomeadamente jovens. O novo coordenador da CNLCS salientou ainda a intervenção do antigo presidente sul-africano Nelson Mandela e a sua mensagem de "esperança e responsabilização dos países desenvolvidos" pelas dificuldades de financiamento e também de acesso a tratamentos eficazes para combater a doença em países como África.
RESISTÊNCIA A TRATAMENTOS
Um estudo realizado em 17 países europeus, entre os quais Portugal, divulgado ontem em Paris, revela que 10 por cento dos seropositivos recém-diagnosticados é resistente aos tratamentos anti-retrovirais.
Segundo os autores do estudo, incluído à última hora na conferência internacional sobre sida que terminou ontem, os resultados mostram que 10 por cento dos 1633 seropositivos analisados era resistente a uma ou mais terapêuticas antes de começar a ser tratado. Intitulado Análise Combinada da Transmissão de Resistência no Tempo de Pacientes com Infecções Crónicas e Graves de VIH na Europa, o estudo incluiu a participação de Ricardo Camacho, responsável pelo Laboratório de Virologia do Hospital Egas Moniz, em Lisboa.
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