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PORTUGAL VAI TER UM ATLAS

O Governo português, com a ajuda da União Europeia (UE), vai investir um milhão de euros (200 mil contos) para tirar o retrato ao Portugal moderno, do início do século XXI. Trata--se do primeiro Atlas de Portugal, um documento de referência e de elevado rigor científico que regista todas as vertentes do País, desde a sua Geografia aos aspectos económicos, políticos, sociais, culturais e ambientais.

17 de novembro de 2003 às 00:00

O secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas, revelou ao Correio da Manhã que o Atlas de Portugal vai estar pronto em Dezembro de 2004. Serão editados 15 mil exemplares para distribuição gratuita (como a primeira edição tem o apoio dos fundos comunitários não é permitida a sua comercialização). Já a segunda edição, que deverá sair logo a seguir, vai ser comercializada. Será, segundo Miguel Relvas, editada em CD-Rom e disponibilizada na Internet e em todas as escolas do País".

A publicação do Atlas de Portugal tem um interesse estratégico como instrumento de divulgação de conteúdos rigorosos. Basta dizer que a coordenação científica está a cargo da Professora Doutora Raquel Soeiro de Brito, professora jubilada da Universidade Nova e discípula do Professor Orlando Ribeiro.

A iniciativa da execução da obra é do Instituto Geográfico Português, organismo tutelado pela Secretaria de Estado da Administração Local. O trabalho vai ter a colaboração de vários institutos públicos, das Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCR), que têm muitos estudos locais.

Segundo Miguel Relvas, "ninguém em Portugal tinha a capacidade de aproveitar, reunir e sistematizar a enorme quantidade de informação dispersa que existe em todos institutos e organismos públicos, por isso teve de ser o Estado a deitar mãos à obra". Para ajudar na tarefa, o secretário de Estado convidou quatro empresas-âncora do nosso País, a PT a EDP, a CGD e a GALP.

Miguel Relvas resume a intenção do Governo: "No fundo, o que pretendemos não é apenas dar informação, é algo mais importante do que isso: é permitir o acesso ao conhecimento, especialmente às gerações mais novas". De facto, o Atlas será um instrumento indispensável à formação das camadas mais jovens da população e um documento de referência para estudantes e professores.

VÁRIOS MAPAS

O Atlas inclui vários tipos de mapas, entre os quais um geral de posição e dois ou três históricos. Mas há mais.

TOPOGRÁFICOS

Os mapas topográficos incluem a medida da profundidade do mar e evolução da costa. Outros apresentam as unidades geológicas fundamentais, a rede hidrográfica e a linha divisória de águas, bem como diferentes tipos de distribuição de elementos climáticos.

EMPRESAS

Incluem-se também mapas com a localização das sedes das maiores 500 empresas industriais e comerciais, segundo a dimensão do emprego e ainda a percentagem de assalariados com instrução superior.

INFRA-ESTRUTURAS

Destacam-se, igualmente, os mapas com referência às infra-estruturas físicas (rodo-ferroviárias, aeroportos, aeródromos) e equipamentos de apoio.

ORGANIZAÇÃO DO NOVO MAPA

O Atlas de Portugal organiza-se em torno de nove itens. À ‘cabeça’ surgem a Importância da Localização na Península Ibérica e na Grande Europa, a Identidade História e a Singularidade Geográfica. A seguir são contempladas a Organização Espacial da Sociedade, as Sociedades em Redes, a Organização Económica, o Comportamento Político-eleitoral, as Comunidades Portuguesas no Mundo e a Identidade Cultural.

GEOGRAFIA

Entre os princípios estruturantes de organização do primeiro Atlas de Portugal conta-se a referência à importância da localização na Península Ibérica e na Grande Europa, à Identidade Histórica e Singularidade Geográfica. Neste capítulo, merecem destaque o mar e a margem continental, a constituição e morfologia, bem como o clima, a protecção da natureza e as áreas de risco, nomeadamente relacionado com a erosão.

POPULAÇÃO

O Atlas destaca as questões relacionadas com a população – distribuição actual, evolução na segunda metade do século XX, estrutura, movimentos migratórios (actuais e antigos, incluindo imigração e sua origem) e uma abordagem às regiões portuguesas. Além disso, refere a diferença entre população urbana e rural e as transformações da população rural no que implica, por exemplo, a habitação e a mobilidade.

ECONOMIA

No capítulo da organização económica aborda-se o declínio da agricultura e pescas e o recrudescimento da indústria extractiva, assim como o sector industrial (localização das principais indústrias, pessoal, parques industriais, que indústrias podem singrar, onde, com quem...), o desenvolvimento dos serviços, a importância do turismo, as relações socioeconómicas com o exterior e a competitividade das cidades e regiões.

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