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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGUÊS FOI MESMO ESTRANGULADO

O português José Alves da Costa, de 56 anos, morreu estrangulado durante um assalto à sua residência, na periferia da cidade brasileira de Fortaleza, na madrugada de segunda-feira.
26 de Junho de 2003 às 00:00
Dois dos filhos da vítima, Maria dos Anjos e José Costa, afirmam que não se intrometiam na vida do pai
Dois dos filhos da vítima, Maria dos Anjos e José Costa, afirmam que não se intrometiam na vida do pai FOTO: Luís Lopes
O relatório final da autópsia afasta a hipótese de "morte natural"- que chegou a ser considerada devido à não existência de sinais exteriores de violência - uma vez que um exame mais aprofundado revelou a evidência de "asfixia mecânica", conceito que o director do Instituto de Medicina Legal (IML) esclarece afirmando que se tratou de um estrangulamento efectuado pelas próprias mãos do homicida.
A família de José Alves da Costa, reunida em Perosinho, Vila Nova de Gaia, de onde é natural, já obteve a garantia de que o corpo será trasladado para Portugal. "Vou receber o meu pai na sexta-feira ou no sábado ao aeroporto e o funeral seguirá para o cemitério de Avintes", disse ao CM Maria dos Anjos, um dos sete filhos de José Alves da Costa. Para custear o envio do corpo, os sete irmãos estão a reunir entre si os 3250 euros necessários.
Anteriormente empreiteiro na zona de Gaia, José Alves, estabeleceu-se há cerca de um ano e meio no Ceará, com uma loja de alimentação, depois de ter casado com a pernambucana Verónica Batista Marinho, então com 25 anos. O casamento decorreu em Espinho, em Portugal, e a ele apenas assistiram dois filhos.
"Não concordámos nem nos opusemos, não nos intrometemos na vida dele", afirmou ao CM, José Costa, que veio de França para apoiar os irmãos neste infortúnio.
Na madrugada de segunda-feira, a residência de Fortaleza foi assaltada por dois indivíduos. Verónica terá sido amarrada e fechada no quarto de banho e José Alves foi em seguida estrangulado. Os ladrões terão roubado uma aparelhagem de som e algumas bijuterias. Verónica chamou a Polícia Militar pelas 05h30.
O casal terá recentemente sido alvo de dois assaltos. No último, na sexta-feira, Verónica afirmou que os assaltantes lhe levaram a bolsa que continha as chaves de casa e documentos. E foi essa chave que os dois idivíduos utilizaram para entrar na residência, uma vez que não há sinais de arrombamento.
"É estranho, se a mulher lhe falou desse assalto, ele, cuidadoso como era, teria mudado a fechadura", assegura a filha Maria dos Anjos.
BANDIDOS ENCERRARAM-ME NO BANHEIRO
"Eram dois bandidos, estavam armados de revólver, amarraram-me e encerraram- -me no banheiro. Depois foram para junto do meu marido e mataram-no", relatou ontem ao CM Verónica Batista Marinho, mulher de José Alves da Costa. "Sim, eu dei o alerta para a Polícia, mas não posso lhe dizer mais, estou a tomar medicamentos e muito cansada", acrescentou a jovem viúva, recusando prosseguir a conversa. Verónica tinha entretanto começado o seu depoimento ao nosso jornal insistindo que pretende que o corpo do marido seja sepultado em Fortaleza. "Eu quero ficar perto dele e não tenho condição de viajar para Portugal", disse. Este lamento, porém, é visto com pouca benevolência pela família de José Alves em Portugal. Maria dos Anjos, filha do empresário, relatou ao CM que na segunda-feira recebeu um telefonema de Verónica informando-os de que estaria disposta a "autorizar" a vinda do corpo para Portugal se lhe fossem pagas as viagens e assegurada a estadia, caso contrário o funeral realizar-se-ia no Brasil. "Foi uma chantagem, ou nós pagávamos ou não tínhamos o corpo. Já informamos o delegado policial deste episódio", contou Maria dos Anjos.
QUARTO CRIME DESDE O INÍCIO DO ANO
A cidade de Fortaleza, para além de destino de férias, ganhou notoriedade no nosso País desde a matança dos seis portugueses por ordem de Luís Militão. O cônsul, Francisco Brandão reconhece que este é já o quarto incidente violento desde o início do ano mas desdramatiza qualquer situação alarmante, esclarecendo que se trata de uma cidade com 2,2 milhões de habitantes e com uma significativa comunidade portuguesa. "O nosso compatriota José Alves da Costa nem estava registado no consulado", afirma. "E no que respeita a este caso, posso garantir que as autoridades policiais e institucionais, com quem temos óptimas relações, tudo farão para deslindar o crime", acrescentou ao CM.
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