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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGUESA CASA COM ESPANHOLA

Barcelona viveu anteontem a primeira boda civil entre duas mulheres, a portuguesa Maria João e a espanhola Eliana. O acto foi simbólico, já que Espanha, tal como Portugal não reconhece o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
27 de Abril de 2003 às 00:00
A cerimónia começou meia hora mais tarde devido ao atraso das ‘noivas’ tendo sido oficializada pela responsável dos direitos civis de Barcelona, eleita pelo partido de Os Verdes.
Foi uma cerimónia simples, sem troca de alianças nem nada do que é habitual numa boda. Com excepção, claro, do ‘sim’. As ‘noivas’ não se negaram ainda ao beijo final ou à saída triunfal da câmara sob uma intensa ‘chuva’ de arroz e pétalas.
A boda intitulava-se “Manifesto Verde, Vermelho e Amarelo” em alusão às cores das bandeiras dos seus países. “Queremos partilhar este acto, com as pessoas que precisam de saber da nossa existência e com o Estado para que nos reconheça os direitos que nos foram sequestrados”, dizia o manifesto.
As noivas reclamaram ainda alguns direitos concedidos normalmente às famílias espanholas como uma cama de casal num quarto de hotel e um passe de transporte familiar. Maria João e Eliana dizem que estes são elementos do quotidiano, tão importantes como passear de mão dada pela rua.
A escolha do dia para esta união não foi casual, tendo coincidido com o 25 de Abril, dia em que Portugal assinalou a passagem para a democracia. Uma revolução que António Serzedelo, presidente da Opus Gay, garante “ainda está por cumprir”. “O 25 de Abril trouxe mais liberdade e mais abertura, mas há múltipos direitos sociais, políticos e económicos que estão por cumprir”, disse ao CM, classificando de excelente a união pública da Maria João e da Eliana.
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