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Correio da Manhã

Portugal
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Portugueses doentes por causa da seca

O período de seca que está a afectar o País neste Verão tão quente não provoca apenas graves prejuízos económicos: causa também problemas sérios na saúde das populações – segundo um alerta da Direcção-Geral de Saúde.
24 de Julho de 2005 às 00:00
As autoridades sanitárias recomendam à população que ferva a água distribuída por auto tanques
As autoridades sanitárias recomendam à população que ferva a água distribuída por auto tanques FOTO: Alexandre M. Silva
As autoridades sanitárias avisam para os perigos do consumo de água que não seja da rede de abastecimento público. A que resta nas barragens começa a ficar contaminada por microrganismos, muitos deles tóxicos.
O consumo de água fora da rede de abastecimento é frequente em períodos de seca – e as consequências, segundo a Direcção-Geral de Saúde, são imediatas: gastroenterites, diarreias e vómitos, doenças transmitidas pelas águas contaminadas e por alimentos lavados ou regados por essas águas.
O médico José Robalo, da Direcção-Geral de Saúde, diz ao Correio da Manhã que é necessário alertar as populações para a necessidade de beberem água apenas da rede pública ou engarrafada. “A nossa preocupação é muito grande, porque a seca faz aumentar o risco da diminuição da qualidade da água”. O grande perigo, segundo José Robalo, é o concumo ou lavagem de alimentos com água de poços, furos, fontanários e nascentes que fogem ao controlo sanitário.
Quanto à água da rede pública, o médico assegura que as autoridades de saúde estão a reforçar a vigilância periódica da qualidade e lembra que é da responsabilidade das entidades gestoras fazerem cumprir esse controlo de qualidade. “Se ocorrer uma contaminação bacteriológica no abastecimento da água às populações, esse abastecimento deve ser proibido”, diz José Robalo.
Não é só o consumo de água fora do controlo que preocupa as autoridades de saúde. Os banhos e actividades recreativas nas praias fluviais e albufeiras também, porque provocam dermatites (problemas de pele), irritação dos olhos e conjuntivites, otites, gastroenterites e diarreias.
Os incêndios florestais são outra preocupação das autoridades – pelos problemas respiratórios, oculares e dermatológicos. A pneumologista Maria João Gomes, do Hospital Pulido Valente, lembra que estes problemas podem ser permanentes, consoante a exposiação ao fumos.
ÁGUA DEVE SER FERVIDA
As populações que recorrem a sistemas de abastecimento alternativo (poços, furos, nascentes ou fontanários) devem observar alguns cuidados antes de consumirem a água.
A Direcção-Geral de Saúde (DGS) recomenda que a água deve ser fervida durante dez minutos antes de consumida – contados a partir do momento que começa a borbulhar. A DGS aconselha juntar uma gota de limão por cada litro para melhorar o sabor e recomenda que seja consumida um dia após a fervura. Como alternativa, a água pode ser desinfectada com produtos à base de cloro.
Os centros de saúde mais próximos dão informações sobre como agir correctamente. A DGS lembra ainda que não devem ser regados com águas residuais os produtos hortícolas que são são consumidos crus
INSECTOS PERIGOSOS
O período de seca pode fazer aumentar as doenças transmissíveis pelos insectos. Devem ser evitados, segundo recomendação da Direcção-Geral de Saúde, todos os locais onde existem águas paradas, estagnadas ou poluídas.
Os mosquitos, que povoam essencialmente locais onde existem águas paradas, são reservatórios vivos de doenças – designadamente, infecções, reacções alérgicas e problemas dermatológicos, que podem ser particularmente perigosos para crianças, idosos e doentes crónicos com o sistema imunitário debilitado.
As vítimas de picadelas de insectos devem procurar assistência médica para iniciar de imediato tratamento, porque as reacções podem desenvolver um quadro clínico grave – alerta a Direcção-Geral de Saúde.
“Os insectos podem transmitir agentes patogénicos que podem ser muito perigosos se não for recebido tratamento a tempo de tomar uma terapêutica adequada”, diz ao CM o médico Carlos Paiva, imunologista do Hospital de Santa Maria.
A Direcção-Geral de Saúde alerta as populações para avisarem as autoridades sanitárias locais se detectarem grandes concentrações de insectos.
APONTAMENTOS
SEM RESPIRAR
Os fumos e as altas temperatuas resultantes dos incêndios florestais provocam graves problemas respiratórios às populações e a quem combate as chamas. Os brônquios e os pulmões ficam afectados – o que pode resultar em asfixia.
AUTO TANQUES
Quando a distribuição da água à população é feita através de auto tanques devem ser reforçadas as medidas higieno-sanitárias, como utilização de recipientes limpos e com fecho hermético e desinfecção por fervura ou química.
ALGAS AZUIS
As cianobactérias, também conhecidas por algas azuis, são organismos que se desenvolvem em águas doces superficiais, albufeiras, estuários ou no mar. Libertam toxinas na água que causam problemas de saúde pública pelo consumo e contacto.
LABORATÓRIOS
Os laboratórios de saúde pública devem estar preparados para efectuarem a monitorização da qualidade da água de origem fluvial e de albufeiras e devem proceder à divulgação dos resultados das análises e aconselhamento directo às populações.
ANÁLISES
As entidades gestoras do abastecimento público devem fazer um controlo mais rigoroso e frequente à água (parâmetros microbiológicos e físico-químicos) porque é baixa a qualidade da água das barragens.
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