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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGUESES IGNORAM FORMAS DE CONTÁGIO

Um em cada sete portugueses acredita que apertar a mão a um doente de Sida ou a um seropositivo, bem como tocar nos objectos em que estes tocaram, pode constituir uma forma de contágio da doença, revela uma sondagem europeia.
2 de Dezembro de 2003 às 00:00
Responderam ao inquérito 1002 cidadãos portugueses
Responderam ao inquérito 1002 cidadãos portugueses FOTO: Jose Barradas
O eurobarómetro especial, publicado pela Comissão Europeia por ocasião do Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que ontem se assinalou, denuncia o desconhecimento que ainda existe, em alguns países, em relação à doença, embora revele a mudança de comportamentos desde que esta é conhecida e foi divulgada.
Confrontado com estes dados, o Comissário Nacional da Luta Contra a Sida, Meliço Silvestre, manifestou--se "chocado", desabafando que "depois de tantos anos de campanhas, temos de nos conscencializar de que alguma coisa falhou".
Mais de 14 por cento dos portugueses inquiridos, juntamente com os austríacos, consideram que um aperto de mão a um doente de sida ou a um seropositivo pode significar o contágio da doença, uma percentagem que sobe para os 19 por cento quando a questão se refere ao tocar nos mesmos objectos. Oito por cento dos portugueses acham mesmo que tocar num objecto anteriormente tocado por um doente de sida ou um seropositivo é uma das formas de apanhar a doença.
CONTÁGIO À MESA
Também um em cada cinco dos questionados em Portugal considera que comer uma refeição preparada por um doente pode constituir uma forma de contágio e dez por cento têm-na como certa (contra três por cento a nível europeu), enquanto 61 por cento recusam essa possibilidade. No mesmo sentido, Portugal é o país de onde vêm mais respostas positivas quando a possibilidade de contágio é beber do mesmo copo de um doente ou portador do vírus. A nível europeu, 23 por cento dos inquiridos consideram que se pode apanhar a doença cuidando de alguém que a tenha, algo de que 51 por cento dos portugueses discordam. Também um em cada quatro europeus considera que sentar-se na sanita depois de esta ter sido utilizada por um doente pode constituir uma forma de contágio, sendo que apenas 35 por cento dos portugueses consideram que não. No entanto, salientam os investigadores, a maioria (mais de 90 por cento) responde que as formas mais frequentes de apanhar a doença é através do sangue, da partilha de seringas ou das relações sexuais sem protecção.
O inquérito foi realizado pela Comissão Europeia no último trimestre do ano passado, tendo sido feitas 16.230 entrevistas, das quais 1002 a cidadãos portugueses com 15 anos ou mais.
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