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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGUESES NOS CÉUS DA TURQUIA

Pelo menos sete militares portugueses, integrados nas tripulações multinacionais dos aviões-radar AWACS da NATO, deverão começar a patrulhar o espaço aéreo da Turquia ainda esta semana, anunciou ontem o capitão Fernando Duarte, em Geilenkirchen, na Alemanha.
25 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Falando à margem da cerimónia de partida do primeiro aparelho da Componente E-3A da Força Aérea de Controlo e Alerta Rápido da NATO para a Turquia, o capitão, conhecido na base aérea aliada de Geilenkirchen pela alcunha “Lusitano”, revelou que dois pilotos, um navegador, um responsável pelo sector de vigilância, outro pelo da informação electrónica e dois operadores de vigilância formam o conjunto mínimo de oficiais e sargentos portugueses que vão contribuir para o patrulhamento e defesa dos céus do Sudeste turco.

Refira-se que a delegação militar portuguesa em Geilenkirchen é composta por 19 militares, na sua maioria membros das tripulações dos AWACS, aviões especializados na detecção de radares, mísseis ou aviões inimigos.

O envolvimento dos AWACS da NATO na defesa da Turquia foi decidido na semana passada a nível político para fazer face à iminente guerra contra o Iraque, a qual pode ameaçar o território e a segurança deste país membro da Aliança. Os AWACS vão ficar estacionados na base operacional avançada de Konya, cidade localizada no centro da Turquia e uma das mais religiosas do país.

Em relação ao aparelho enviado ontem para a Turquia, o capitão Fernando Duarte adiantou que se trata de um avião de transporte que vai levar pessoal de apoio e material diverso, necessário ao emprego operacional da força.

Entretanto, o comandante da Componente E-3A, o major-general Gary Winterberger,revelou que são dois os AWACS que vão começar a patrulhar os céus da Turquia, a partir de quinta-feira. O número de aviões pode, no entanto, vir a aumentar dentro de alguns dias, previsão que decorre do número diário de horas de missão que as tripulações realizam e que normalmente corresponde a oito horas – às quais se seguem 12 horas de descanso mínimo obrigatório –, à semelhança do que aconteceu durante a missão para proteger os EUA, após os atentados do 11 de Setembro de 2001, na qual participaram seis aviões.

De acordo com Gary Winterberger e com o comandante operacional dos AWACS, o major-general Johann Dora, a missão na Turquia vai servir apenas para controlar o território turco e “não tem nada de diferente” quando comparada à operação “Águia Assistida” para proteger os EUA.

Os militares da NATO estão proibidos, segundo informou o capitão Fernando Duarte, de deixar as instalações da base de Konya, por razões de segurança. Por estas mesmas razões, fonte do Estado Maior das Forças Armadas Portuguesas, contactada pelo CM, não identificou os militares portugueses destacados. “Não é possível identificar os militares Isto seria revelar a ordem de batalha o que iria pôr em causa a sua segurança”, afirmou a referida fonte, acrescentando que “não é novo para uma esquadra AWAC ficar proibida de sair das instalações, o que depende das regras de empenhamento. Se estas forem elevadas, por questões de precaução, esta situação é possível”.

“Quando a NATO achar que tem necessidade de mais pessoal irá decidi-lo em forum próprio, nomeadamente no Comité Militar de Bruxelas, no qual apresentará às nações as suas necessidades”, esclareceu a mesma fonte, quando questionada pelo CM sobre a possibilidade de serem enviados mais militares.

“Os militares têm uma especialização genérica, seguida de uma qualificação operacional. Por tal, estão extremamente bem preparados. O processo de selecção e preparação de uma esquadra AWAC é muito rigoroso e os militares têm de cumprir o mais pequeno requisito se não querem dar lugar a outro”, acrescentou.

“Não há qualquer tipo de perigo. São aviões que trabalham à distância, que vigiam ao longe e de cima para baixo. Podem até estar a mais de 300 quilómetros de distância da zona vigiada”, explicou a mesma fonte.

Estas informações foram avançada no mesmo dia em que o governo turco concordou com o estacionamento de milhares de militares norte-americanos no seu território.
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