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Correio da Manhã

Portugal
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PORTUGUESES TAMANHO XXL

Metade dos portugueses é gordo e seis em cada dez, com mais de 30 anos, tem peso a mais. Esta a conclusão do maior estudo epidemiológico realizado em Portugal, por uma equipa de sete especialistas, liderada pela endocrinologista Isabel do Carmo.
30 de Setembro de 2004 às 00:00
“A obesidade é um flagelo e está a ter um maior peso na nossa sociedade. Os quilos a mais dos portugueses devem-se à comida hipercalórica, com elevados níveis de calorias e gordura, mas que é saborosa e as pessoas não resistem, mas é um perigo para a saúde das pessoas”, alerta a especialista.
Este estudo, apresentado simbolicamente no ginásio do Centro de Actividade Física e Recriação da Universidade Técnica de Lisboa, revela ainda que 35 por cento da população tem excesso de peso ou está em pré-obesidade e 15 por cento dos portugueses são obesos. O estudo decorreu de Janeiro de 2003 e Junho de 2004 e envolveu um total de 5124 indivíduos, dos 18 aos 64 anos.
Perante estes resultados, Isabel do Carmo considera que se devem tomar medidas urgentes de prevenção junto das crianças e adolescentes. Defende a proibição da publicidade de doces e refrigerantes nos programas televisivos infantis/juvenis e a proibição de máquinas de venda de alimentos calóricos nas escolas.
As medidas a longo prazo são a construção de cidades com espaços para “as pessoas se mexerem de forma a combater o sedentarismo”. Defende a existência de nutricionistas e dietistas nos hospitais e centros de saúde, a comparticipação de medicamentos e as cirurgias de gastroplastia para os muito obesos.
ESCOLA POUCO SAUDÁVEL
José Canolas, um dos dois nutricionistas do Hospital Santa Maria, admitiu ao CM que, no trabalho que desenvolveu nalgumas escolas, soube que “há responsáveis escolares que aceitam a colocação nos refeitórios de alimentos hipercalóricos, porque recebem das empresas fornecedoras verbas que podem ser aplicadas na escola”.
“Lembro-me de uma professora da Margem Sul que se insurgiu contra os seus pares, argumentando que as crianças estão a ficar gordas, mas recebeu como resposta que a escola precisava do dinheiro para aplicá-lo numa situação qualquer”, disse.
Outro enfoque do estudo foi a medição da cintura, que define o risco de doenças cardiovasculares, dado que quanto maior for a gordura à volta da cintura maior é o perigo para a saúde.
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