POVO CANTA ALMAS

Em Bravães, no concelho de Ponte da Barca, foi este ano recuperada a secular tradição quaresmal do 'aumentar às Almas', que se havia perdido há mais de 50 anos.
09.03.03
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Trata-se de uma oração de louvor, súplica e penitência, de cariz manifestamente popular, composta pelo canto de nove versos, alusivos a santos, a Nossa Senhora e às Almas do Purgatório, entremeados por outros tantos Pai-Nossos e Ave-Marias, rezados em profundo silêncio.

O início deste rito penitencial perde-se no tempo, mas sabe-se que já no século XVII, em alguns lugares do Alto Minho, se cantava às Almas, em sufrágio dos falecidos da terra e para auferir indulgências especiais.

Até se dizia que, quem cantasse às Almas sete anos seguidos, ganhava o Céu.

"Essa é a nossa fé e a fé é que nos salva", disse ao Correio da Manhã Maria de Lurdes Gomes, uma das três mulheres da terra que ainda se lembra do cantar às Almas de antigamente.

"Era muito bonito. Mal ouvíamos o sino, a minha mãe, nós e as minhas tias, juntávamo-nos todas à porta de casa e começávamos a cantar às Almas. Nessa altura, as pessoas do lugar punham uma candeia à janela e rezavam connosco. Criava-se um ambiente de grande interioridade; parecia mesmo que Deus nos estava a ouvir com atenção", acrescentou.

Entretanto, em meados do século passado, a tradição foi caindo no esquecimento, até que desapareceu por completo.

Este ano, Jaime Ferrer, um professor da freguesia, resolveu chamar as três pessoas que ainda se lembram da letra e da música e ressuscitar a tradição, enriquecendo o património cultural de uma terra de passado monástico.

Antigamente, o 'aumentar às Almas' acontecia todas as noites da Quaresma. Hoje, na reposição da tradição, os cânticos e as orações têm lugar apenas nas sextas-feiras da Quaresma, no adro do mosteiro de Bravães, construído no início do século XII.

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