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Correio da Manhã

Portugal
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Póvoa sem banhos

Quase todas as praias da zona urbana da Póvoa de Varzim estão interditas a banhos devido à presença de salmonelas nas águas. A Capitania local hasteou ontem as bandeiras vermelhas em sete praias e, até indicação em contrário por parte do Centro Regional de Saúde Pública do Norte, estão desaconselhados os banhos.
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Apesar da interdição, os banhistas não deixaram de ir ontem à praia
Apesar da interdição, os banhistas não deixaram de ir ontem à praia FOTO: d.r.
As interdições começaram no dia 28 de Julho, em três praias, Redonda e Leixão, situadas entre o porto de pesca e a Esplanada do Carvalhido, e incluíram também a Lagoa, junto ao Novotel Vermar. Após novas análises feitas a 1 de Agosto, foram detectadas salmonelas nas águas da praia da Lada.
Sendo uma questão de saúde pública, a delegação de Saúde entendeu que oito praias da frente urbana norte e sul deveriam ser interditadas, incluindo aquelas onde há análises com resultados negativos, ou seja, com qualidade da água boa ou aceitável.
Quem não se conforma com aquilo a que chama de “catástrofe para o turismo” são os concessionários que contestam o facto de só onze dias depois das colheitas se conhecerem os resultados. “Se tivessem salmonelas já tínhamos morrido todos”. A verdade é que, até agora, no Centro Hospitalar da Póvoa ninguém deu entrada com sintomas que pudessem advir de água contaminada.
Os concessionários prometem lutar pela reposição das bandeiras verdes interpondo providências cautelares.
QUALIDADE
Também o vereador do Ambiente, Manuel Angélico, não tem explicação para o caso uma vez que “as análises bacteriológicas à água não motivavam a restrição de banhos naquelas praias porque deram parâmetros bons ou aceitáveis”. O que, alega, deita por terra a hipótese de as salmonelas terem aparecido devido ao reforço da rede de saneamento que a edilidade tem feito, nos últimos meses, em quase todas as freguesias.
Para o comandante da Capitania de Póvoa/Vila do Conde, isto acontece “na altura pior do ano”. Carrondo Dias já reuniu com os concessionários e nadadores salvadores no sentido de estes prestarem todos os esclarecimentos aos banhistas.
PRAIAS COM MÁ QUALIDADE
A praia da Franquia, em Vila Nova de Milfontes (Odemira), obteve má qualidade de água na última análise realizada este mês pelo Instituto da Água, devido à presença de coliformes fecais. Ao longo da época balnear outras praias apresentaram já valores negativos na qualidade da água.
No Algarve, a praia dos Alemães (Albufeira) revelou, em Julho, má qualidade. Em Maio, também a zona balnear de Salema (Vila do Bispo) apresentou valores negativos.
Em Cascais, de acordo com o INAG, a praia da Rainha esteve no vermelho em Junho, classificação igualmente verificada em Vila Praia de Âncora (Caminha) em Maio e Junho. Na Madeira a zona balnear de Santa Cruz (Machico) teve igualmente má qualidade em Junho.
Por outro lado, as praias da Morena (Almada) da Foz do Arelho, Lagoa (Caldas da Rainha), da Lota (Vila Real de Santo António) e da Barra (Tavira) obtiveram em 2005 má classificação, mas nas análises efectuadas este ano a qualidade tem sido boa ou aceitável.
SABER MAIS
DOZE HOMENS
O comandante da Capitania, Carrondo Dias, conta com 12 homens para fazer o patrulhamento na frente de mar em todas as praias da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde.
ESGOTOS NA PRAIA
O Grupo de Reflexão para a Saúde do Partido Socialista da Póvoa de Varzim alertou ontem para a inexistência de tratamento de esgotos na zona interdita a banhos, o que poderá estar na origem do problema.
ÁGUA PERIGOSA
São várias as praias na Área Metropolitana do Porto cujas análises revelam má qualidade da água: Em Vila do Conde, a praia da Árvore (interdita em 2005). No Porto, Gondarém e Castelo do Queijo (interdita em 2005) e em Matosinhos a praia de Angeiras Norte e da cidade. Boa é a situação da água nas praias de Gaia e Espinho.
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