Autarca pediu ainda que "o foco de todas as equipas, seja da E-Redes, seja da Proteção Civil, seja de outros recursos, sejam concentrados em Leiria".
O presidente da Câmara de Leiria apelou esta quarta-feira ao Governo para que possa decretar o estado de calamidade em Leiria, tendo em conta que o concelho foi dos mais afetados pela depressão Kristin.
"O primeiro apelo que fazia, era que o próprio Governo equacionasse de imediato o estado de calamidade para podermos acudir a todos os prejuízos e recolher, na nossa região, os meios necessários para recuperar a vida normal do nosso concelho", adiantou Gonçalo Lopes (PS).
O autarca pediu ainda que "o foco de todas as equipas, seja da E-Redes, seja da Proteção Civil, seja de outros recursos, sejam concentrados em Leiria".
De acordo com o presidente, a "cidade de Leiria foi atingida de maneira drástica naquilo que são os seus bens públicos e privados".
"Temos espaços públicos virados de pernas para o ar. É algo que vai obrigar a um esforço muito grande de recuperação nos próximos meses. O impacto é semelhante àquilo que pode significar uma bomba dentro da nossa cidade, com destruição maciça", revelou.
Afirmando que não foram só os espaços públicos a serem atingidos, Gonçalo Lopes explicou que "muitos dos equipamentos passam por igrejas, estádios, piscinas, casas, esplanadas".
"Algo nunca visto, provocado pelo fenómeno que aconteceu entre as 03:00 e as 05:00 da manhã e para o qual não conseguimos ter resposta", disse.
O autarca revelou que se perspetiva que nos próximos dois dias a maioria da população continue sem abastecimento de água e eletricidade.
"A E-Redes está a mobilizar todos os recursos nacionais para Leiria. Não vamos ter eletricidade durante este período e, portanto, todo o apelo que deixava é que empresas e instituições que tenham geradores disponíveis e que possam ceder para acudir às populações mais necessitadas, como lares e a PSP. Temos uma linha já dedicada para fazer uma lista de prioridades para colocar o nosso concelho rapidamente com energia", reforçou.
Segundo o presidente, a "questão da eletricidade tem consequências nas comunicações, no fornecimento de água". Por isso, apelou à população para que seja "muito racional e equilibrada nos consumos" de água e bens alimentares.
Um dos principais problemas, explicou, foram os danos nas linhas de alta tensão, "que foram profundamente afetadas na região", e, por isso, "as subestações de Leiria, todas elas, estão inoperacionais".
A reposição da energia será idêntica ao que se verificou no 'apagão'.
Gonçalo Lopes informou ainda que estão a trabalhar para reabrir as vias de comunicação, "com uma preocupação especial para o IC2 [itinerário complementar 2], na zona da Roca, e na "estrada nacional 109, que liga Leiria à Figueira da Foz, que está também com dificuldades de circulação".
"Apelo para que as pessoas fiquem em casa durante os próximos períodos, de modo a evitar o constrangimento das vias e a deixá-las livres para quem vai em socorro e auxílio na resolução dos problemas", frisou.
Outro dos pedidos deixados pelo autarca é a cedência de geradores que empresas ou particulares possam ter disponíveis. "Temos várias empresas que já nos disponibilizaram geradores. Estamos a falar de uma situação extremamente grave, sobretudo nos lares", que estão sem energia, apontou, referindo que estão a fazer o ponto de situação das dificuldades dos 60 lares do concelho.
A autarquia disponibilizou um número de telefone (922 273 694) para onde podem ligar para disponibilizarem os geradores.
Outra das preocupações manifestadas pelo presidente da Câmara é a Estação de Tratamento de Águas Residuais do Coimbrão, que se encontra inoperacional. "Estamos a medir os impactos ambientais que poderá ter uma infraestrutura desta dimensão que deixou de estar em funcionamento", acrescentou.
Serão ainda disponibilizadas "casas de recolha" para cidadãos que não tenham onde pernoitar.
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