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Correio da Manhã

Portugal
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Marcelo defende que "não há 'portugueses puros'" após ataque a filhos de atriz brasileira em Portugal

Marcelo Rebelo de Sousa diz que qualquer comportamento racista ou xenófobo é "condenável"
Lusa 1 de Agosto de 2022 às 16:31
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa FOTO: Tiago Petinga / LUSA
O Presidente da República reafirmou esta segunda-feira que "qualquer comportamento racista ou xenófobo é condenável e intolerável", devendo ser punido, mas considerou que os portugueses são "em regra" respeitadores "dos direitos fundamentais e da dignidade da pessoa humana".

"O Presidente da República sublinha, de novo, que qualquer comportamento racista ou xenófobo é condenável e intolerável, e deve ser devidamente punido, seja qual for a vítima", refere uma nota divulgada esta segunda-feira no 'site' da Presidência.

Marcelo Rebelo de Sousa ressalva que "não vale a pena negar que há, infelizmente, setores racistas e xenófobos entre nós", mas salienta que "não se pode, nem deve, generalizar, pois o comportamento da sociedade portuguesa é, em regra, respeitador dos direitos fundamentais e da dignidade da pessoa humana".

E considera que "o mesmo se dirá, especificamente, quanto às comunidades dos países irmãos de língua portuguesa, que têm vindo a aumentar a sua presença" em Portugal e "são motivo de gratidão e de orgulho".

"A sociedade portuguesa é constituída por pessoas das mais variadas origens, que aqui chegaram há poucos ou há muitos anos, alguns há séculos, aqui vivem, trabalham, constituem as suas famílias: não há 'portugueses puros', somos todos descendentes de culturas, civilizações e origens muito diversas", salienta também o Presidente da República.

"Somos todos transmigrantes, todos temos familiares e amigos que vivem ou viveram fora do quadro geográfico físico de um país; tal como tantos que aqui encontram uma melhor vida. E todos somos Portugal", defende ainda Marcelo Rebelo de Sousa na nota divulgada hoje.

Apesar de não referir o caso, esta nota do chefe de Estado português surge dois dias depois de a atriz, modelo e apresentadora brasileira Giovanna Ewbank ter denunciado nas redes sociais que os seus filhos foram vítimas de racismo num restaurante na Costa de Caparica.

Uma família de turistas angolanos que estavam no local também terá sido vítima de racismo por parte de uma mulher alcoolizada, que foi detida pelas autoridades, mas que, entretanto, foi libertada.

"Comunicamos que os filhos do casal Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso foram vítimas de racismo no restaurante Clássico Beach Club, na Costa de Caparica, em Portugal, neste sábado, dia 30 de julho, onde a família passa férias. Uma mulher branca, que passava na frente do restaurante, xingou, deliberadamente, não só Títi e Bless, mas também a uma família de turistas angolanos que estavam no local - cerca de 15 pessoas negras", lê-se num comunicado divulgado pela assessoria de imprensa da atriz brasileira.

"A criminosa pedia que eles saíssem do restaurante e voltassem para a África, entre outras absurdos proferidos às crianças, tais quais 'pretos imundos'", acrescenta a mesma nota.

O casal brasileiro já confirmou que vai apresentar queixa às autoridades.

No domingo, numa publicação na rede social Twitter, o antigo chefe de Estado brasileiro e candidato às eleições presidenciais Lula da Silva solidarizou-se com as famílias brasileiras e angolanas que foram alegadamente vítimas de racismo, considerando que "nenhuma mãe ou pai merece ver seus filhos sendo vítimas de xingamentos racistas".

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