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Correio da Manhã

Portugal
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PRESO PEDÓFILO EM LEIRIA

Um emigrante de 60 anos manteve relações sexuais durante vários anos com três irmãs menores, residentes num bairro social de Leiria, com o alegado conhecimento dos pais, que recebiam dinheiro e alimentos.
13 de Fevereiro de 2003 às 00:08
O indivíduo, pedreiro reformado, foi detido pela Polícia Judiciária de Leiria e depois de ouvido pelo juiz de Instrução Criminal recolheu à cadeia, onde aguarda julgamento.

A detenção, anunciada ontem pela PJ, ocorreu terça-feira, após quatro meses de investigações, despoletadas por uma denúncia de alguém que se apercebeu da situação.

Emigrado em França, o detido travou conhecimento com a família das raparigas há cerca de dez anos, quando levou a mais velha para o estrangeiro.
A jovem, agora com 20 anos, foi a primeira a ser aliciada. “Ele ofereceu-me 500 contos para me tirar a virgindade, mas não aceitei”, disse ao nosso jornal.
Mais tarde, há uns cinco anos, quando a rapariga estava grávida, o alegado violador consumou as relações sexuais com a jovem.

Os pais, que vivem em condições miseráveis, teriam conhecimento do que se passava com as filhas, mas nunca lhes terão falado do assunto, limitando-se a encarar o indivíduo como um “amigo da família”. Ele “ajudava de vez em quando com dinheiro e carne”, afirmou a mãe das jovens.

Casado e sem filhos, o emigrante deslocava-se com frequência a Portugal. Nos últimos tempos, ficava mais tempo e visitava a casa das vítimas, “de oito em oito dias, ou de 15 em 15 dias”.

De início, levava toda a família a passear à praia. Depois, passou a sair sozinho com as duas irmãs mais novas. A que tem agora 16 anos diz ter começado a manter relações sexuais com o agressor aos 11 anos.
A mais nova, hoje com 14 anos, terá começado com a mesma idade.

Por norma, as duas irmãs mais novas saíam juntas com o alegado violador, davam um passeio na praia, ou iam às compras, e depois passavam por uma das três casas do pedófilo.

“Uma ficava na sala e a outra ia para o quarto com ele”, explicou uma das raparigas, adiantando que as relações com o sexagenário incluíam sexo oral, vaginal e anal. “Fazíamos quase tudo”, afirmou. Os abusos sexuais terão decorrido durante “cinco a seis anos”, sempre sem o recurso à violência.

Depois da detenção, um amigo do pedófilo – que também quis manter relações com as irmãs – terá falado com as vítimas para as convencer a não incriminar o emigrante.

“Ele estava disposto a dar 15 mil euros (3000 contos) para nós o defendermos, mas não vamos aceitar”, garantiram as adolescentes. “Foi um alívio” ter sido preso, “acabou-se um pesadelo”, afirmou a rapariga de 16 anos.

O Ministério Público pode vir a retirar as raparigas do meio familiar e a responsabilizar os pais por cumplicidade e co-autoria nos abusos sexuais.
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