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Correio da Manhã

Portugal

Presos em fuga

Cinco reclusos do Leste da Europa saltaram ontem o muro do Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC) – numa acção ousada e planeada – e colocaram-se em fuga numa viatura que os esperava no exterior da cadeia.
20 de Junho de 2005 às 00:00
Cinco reclusos aproveitaram a hora de almoço para pular o muro para a rua. Fugiram num carro que os esperava
Cinco reclusos aproveitaram a hora de almoço para pular o muro para a rua. Fugiram num carro que os esperava FOTO: João Henriques
Segundo apurou o CM, quatro dos evadidos são de nacionalidade romena e estavam detidos preventivamente por suspeita da prática de roubos à mão armada. O quinto elemento será esloveno. Estava preso por contrafacção de moeda e falsificação de documentos.
A fuga colectiva aconteceu por volta das 12h05, hora destinada ao período de almoço da instituição. Os cinco fugitivos, com idades compreendidas entre os 23 e 29 anos, subiram ao muro que ladeia o estabelecimento prisional, situado na rua de Tomar e mesmo ao lado de uma torre de vigia, penduraram-se e saltaram para o passeio. Isto de uma altura de cinco metros. Na rua, com muitas árvores que serviram para encobrir a fuga, estava um indivíduo ao volante de um carro da marca BMW que, assim que os evadidos entraram, fugiu a alta velocidade.
A vegetação espalhada pelo passeio, e as marcas de pés e mãos na frente de um carro estacionado no local onde se deu a fuga, mereceram ontem a observação dos investigadores da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP).
Sublinhe-se que o muro da cadeia do lado da rua de Tomar encontra-se vedado com rede até à torre de vigia, mas o mesmo não acontece até à praça João Paulo II.
Segundo a DGSP, “a fuga estava minuciosamente preparada”. Quando deram conta da evasão, os guardas prisionais dispararam vários tiros, mas já não conseguiram parar o carro que seguiu a alta velocidade pela Rua de Tomar em direcção à zona da Cruz de Celas.
A funcionária de um estabelecimento comercial perto do EPC, que pediu para não ser identificada, sublinhou o facto de não ser “a primeira vez que isto acontece”, mostrando-se algo assustada. “Ouvi os disparos e fiquei com medo”, referiu, acrescentando de pronto: “Percebi logo que estava alguém a tentar fugir”.
Durante a tarde de ontem, a agitação nas imediações do EPC era muita, com vários agentes da PSP a vigiarem a área que rodeia a cadeia. A GNR e a PSP foram alertadas após a fuga, colocando em campo vários efectivos para tentar deter os cinco fugitivos, enquanto a DGSP determinou a realização de um inquérito para “apurar todos os aspectos ligados à evasão”.
Para Manuel Carvalho, presidente do Sindicado Nacional do Corpo da Guarda Prisional, a evasão vem alertar para a falta de pessoal nas prisões e para alegada gestão deficiente dos recursos humanos. Com a proximidade do período de férias, o dirigente pede mais rigor, “para não haver falhas de segurança”.
'SOLITÁRIO' CONTINUA POR CAPTURAR
A fuga de ontem parece ter sido quase tão simples como a que permitiu, em Março, a evasão ao ‘Solitário’, o homem que mais bancos assaltou em Portugal.
Manuel Marques Simões, de 55 anos, estava detido na cadeia central de Coimbra e conseguiu iludir a segurança, quando se deslocou ao exterior do estabelecimento para despejar o lixo. Cá fora esperavam-no dois cúmplices, com armas de fogo, que ameaçaram o guarda prisional e fugiram a alta velocidade com o recluso no banco de trás do carro.
As autoridades emitiram um mandado de captura internacional, mas até ao momento o ‘Solitário’ continua a monte.
CADASTRADOS
‘GANG' DO OURO
Quatro dos reclusos que ontem se evadiram pertenciam, alegadamente, a um perigoso ‘gang’ desmantelado em Março pela Polícia Judiciária de Coimbra. O grupo dedicava-se a roubar ourivesarias, ameaçando os funcionários com armas de fogo.
ORGANIZAÇÃO
Os fugitivos, na data da detenção, estavam na posse de documentos de identificação falsos. Mudavam de casa com frequência e despachavam o ouro furtado com rapidez para o Leste da Europa.
APOIOS
O grupo foi detido após uma complexa operação de investigação desenvolvida pela PJ. As provas recolhidas pelos investigadores demonstraram que os indivíduos tinham grande mobilidade e estariam a ser apoiados por uma rede europeia.
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