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Correio da Manhã

Portugal

Pressão leva à morte

Germano Costa, director executivo da Oficina de São José, não aguentou a pressão a que esteve sujeito desde Fevereiro passado e acabou por suicidar-se na segunda-feira de manhã. Segundo apurou o CM, o responsável, de 42 anos, pôs termo à vida com uma facada no pescoço e foi encontrado morto no interior da sua habitação, pela sua filha.
31 de Agosto de 2006 às 00:00
A Oficina de São José, no Porto, tem sido alvo de duras críticas, desde a morte de Gisberta, uma transexual brasileira encontrada sem vida no interior de um poço, no centro cidade.
O Tribunal de Menores do Porto considerou, no início deste mês, os 13 adolescentes acusados culpados do envolvimento na morte de ‘Gis’. Destes, onze eram internos da Oficina de São José.
Apesar de se encontrar em depressão e de estar a ser acompanhado por psicólogos, os amigos e colegas de trabalho de Germano Costa dizem que nada fazia prever este final dramático.
“ Sentia-se muito mal e extremamente impotente. Tinha uma ligação muito forte com a instituição e a morte da Gisberta foi uma dor muito forte para ele, mas nada fazia prever este drama”, afirmou ao CM o padre Lino Maia, colaborador da Oficina de São José e presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).
A esposa de Germano Costa culpa a Comunicação Social e as autoridades policiais pela pressão que o marido estava a sentir desde Fevereiro passado e que, segundo ela, acabou por lhe provocar a morte.
Também a direcção da Oficina de São José aponta o dedo aos jornalistas, assistentes sociais, psicólogos e tribunais pela morte do responsável pela instituição portuense. “Houve muita pressão por parte de todos. A culpa é da sociedade, das mentiras, dos jornalistas, dos tribunais, da Polícia e até dos próprios psicólogos da Oficina que complicaram ainda mais o caso. Foram todos uns abutres”, disse ao CM Cecília Reis, membro da direcção da Oficina de São José.
Contactada pelo CM, a Diocese do Porto não quis prestar declarações sobre o caso, mas admitiu vir a divulgar um comunicado nos próximos dias.
A Polícia Judiciária do Porto está a investigar o caso, mas não existem indícios de crime e tudo aponta para a tese de suicídio do director executivo da Oficina de São José. O funeral de Germano Costa realizou-se ontem, às 10h00. O corpo foi sepultado no Cemitério de Paranhos, no Porto.
TÉCNICAS DISPENSADAS
Uma assistente social e uma psicóloga da Oficina de São José que testemunharam no decorrer do julgamento do Caso Gisberta e denunciaram alegados maus tratos na instituição vão ser dispensadas no final do mês de Setembro, data do término do contrato. Segundo o padre Lino Maia, colaborador da Oficina de São José, o testemunho das técnicas nada tem a ver com o seu afastamento. “São colaboradoras e membros da direcção da instituição ‘Qualificar para Incluir’.
Este organismo tem feito várias exigências à Oficina, sobre os serviços prestados aos menores. São alertas interessantes, mas demasiado exigentes e interventivos”, explicou ao CM Lino Maia. A direcção da Oficina de São José não acatou as exigências e decidiu terminar a colaboração com a ‘Qualificar para Incluir’, e consequentemente, com as técnicas que ali prestavam serviços.
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