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Correio da Manhã

Portugal
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PRINCESA NAVEGAVA COM HAXE

A ’Princesa Ayre’ já tinha tentado aproximar-se da costa alentejana algumas vezes, mas sempre sem sucesso. Mas anteontem, as tentativas acabaram.
25 de Novembro de 2004 às 00:00
A meio da madrugada, agentes da Polícia Judiciária subiram a bordo da lancha, que se encontrava em águas internacionais ao largo de Sines, descobriram três toneladas de haxixe e detiveram dois cidadãos estónios. Mas a operação, a segunda de grande dimensão na última semana, causou “estranheza” no seio da Brigada Fiscal da GNR. É que a PJ fez tudo com apoio das autoridades espanholas.
Tal como sucedeu há uma semana, quando foi interceptado um camião com dez toneladas de haxixe, em Quarteira, tudo indica que a droga apreendida anteontem ao largo da Costa Vicentina viesse do Norte de África e com destino a Espanha.
Só que desta vez não chegou a terra. Elementos da PJ de Faro embarcaram em Vigo numa lancha da Agência Tributária espanhola e, com apoio de um helicóptero, também espanhol, rumaram a águas internacionais.
O ‘Princesa Ayre’, com pavilhão de Gibraltar, estava a 16 milhas da costa portuguesa. A bordo, além de 100 fardos de haxixe, de trinta quilos cada, seguiam dois cidadãos da Estónia, de 26 e 39 anos. “Nesta altura, é prematuro avançar qualquer informação sobre os dois indivíduos detidos”, referiu José Braz, da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes da PJ.
A dúvida consiste em saber se são membros da rede ou meros tripulantes contratados para o transporte. Em investigação está também a existência de um ‘braço’ português da organização de tráfico de estupefacientes.
De acordo com a PJ, a lancha apreendida, que está desde ontem em Lisboa, tinha capacidade para “se aproximar de terra o suficiente para descarregar o haxixe”.
GNR "ESTRANHA" ESPANHÓIS
O comando da Brigada Fiscal da GNR considera “estranho” que a PJ tenha solicitado meios de apoio às autoridades espanholas para a operação de anteontem. “Esses meios existem em Portugal, mas não nos foram solicitados”, referiu ao CM fonte oficial da Brigada Fiscal.
“Fomos informados de que existia uma operação da PJ em curso, mas desconhecíamos os detalhes. Nem temos de conhecer. O que estranhamos, no entanto, é o facto de terem sido empregues meios espanhóis”, referiu a fonte.
Ontem, em conferência de Imprensa, José Braz, da PJ, negou qualquer “atrito” entre as duas forças e reafirmou a boa colaboração existente entre ambas no combate ao tráfico de droga por via marítima. Já sobre a “estranheza” da GNR, uma fonte da PJ não quis comentar.
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