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Correio da Manhã

Portugal
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Prisão por burla

Um homem que recebeu depósitos monetários, prometendo e pagando, enquanto pôde, juros superiores aos da banca, tal como nos anos 80 fez D. Branca, foi ontem condenado à revelia a dez anos de cadeia.
20 de Julho de 2006 às 00:00
Pedro Miguel Alcântara Duarte foi condenado por ter agido de modo muito semelhante ao de D. Branca, apoderando-se de pelo menos de 500 mil euros alheios, que prometeu depositar numa conta ‘off shore’, em Nassau, com juros de 30 por cento ao ano, livres de impostos.
Na década de 80, a ‘banqueira do povo’ recebeu as economias de milhares de portugueses, oferecendo juros de dez por cento, uma taxa superior à dos bancos. O negócio, contudo, ruiu quando os juros deixaram de ser pagos e os depositantes tentaram reaver o dinheiro.
Com Pedro Duarte sucedeu algo parecido. Foi pagando os juros durante algum tempo, até chegar à ‘bancarrota’. Então, convidou alguns dos ‘amigos’ que lesara para um jantar e contou-lhes a verdade: nunca tivera qualquer conta bancária nem fizera investimentos no estrangeiro. O dinheiro que não havia pago de juros gastou em seu proveito, sem acumular património.
Depois desta confissão, o arguido ausentou-se da sua morada habitual e nunca mais foi encontrado, não tendo comparecido sequer hoje em tribunal. A sentença, lida no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, referia--se apenas a cinco queixas de burla qualificada, crimes cometidos de 2001 a 2003. Além dos dez anos de cadeia, o arguido foi condenado a pagar 500 mil euros de indemnização aos lesados.
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