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Correio da Manhã

Portugal
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Prisão preventiva para pai de juíza

Ferreira da Silva, que confessou ter morto o advogado, aguarda julgamento na cadeia.
8 de Fevereiro de 2011 às 00:30
António Ferreira da Silva, que baleou o ex-genro, foi ontem levado para o Tribunal de Águeda pela Polícia Judiciária
António Ferreira da Silva, que baleou o ex-genro, foi ontem levado para o Tribunal de Águeda pela Polícia Judiciária FOTO: Joana Neves Correia

António Ferreira da Silva vai aguardar em prisão preventiva o julgamento pela autoria da morte do ex-companheiro da filha. Chegou ontem ao princípio da tarde ao Tribunal de Águeda para ser ouvido por um juiz de instrução criminal, e, apesar de alegar legítima defesa quando baleou o advogado com três tiros, no sábado, em Oliveira do Bairro, o magistrado acabou por lhe decretar a prisão preventiva, por homicídio simples.

Interrogado durante toda a tarde, o engenheiro agrónomo reformado, de 62 anos, tentou justificar-se, explicando acreditar que Cláudio Rio Mendes tinha uma arma no bolso, durante a visita parental que acabou com a morte do advogado, de 35 anos, no parque da Mamarrosa.

O reformado chegou a filmar os primeiros momentos do encontro, quando a neta, de quatro anos, chorava porque não queira ir ter com o pai. As imagens serviriam para mostrar que os contactos com o progenitor não favoreciam a criança.

Momentos depois, Cláudio foi atingido com um tiro no peito e dois nas costas. Para além da juíza, da namorada de Cláudio e da sobrinha desta, que filmou os disparos, o homicídio foi ainda presenciado pela filha do casal, de quatro anos.

Contactada pelo Correio da Manhã, a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Oliveira do Bairro disse não ter aberto qualquer tipo de inquérito. "A comissão apenas abre um inquérito quando há situações de perigo para as crianças. Neste caso, ainda não há indícios de que a mãe não possa proteger a criança", disse uma fonte da estrutura.

Recorde-se ainda que há meses que Cláudio se debatia com Ana Carriço, juíza em Ílhavo, para ter uma visita parental não vigiada. Há duas semanas, no Tribunal de Família e Menores, ficou estabelecido que o pai, cuja actual namorada está grávida, podia estar sozinho com a filha. Apesar do acordo, Ana Carriço e o pai foram ao encontro.

FUNERAL REALIZA-SE HOJE NO PORTO

Cláudio Rio Mendes, o advogado assassinado com três tiros pelo ex--sogro, em Oliveira do Bairro, vai hoje a enterrar, no cemitério de São Pedro da Cova, em Gondomar. Antes haverá uma missa de corpo presente na Igreja das Antas, no Porto.

São esperados dezenas de familiares e colegas de trabalho, que já prepararam uma homenagem, que deverá ser lida nas cerimónias fúnebres. "Presenciámos como lutaste pela tua pela filha desde o dia em nasceu, há quase quatro anos. Querias para ela uma família como aquela em que cresceste. Conhecemos, de perto, o teu sofrimento, pois vivias na angústia de não a poderes ver ou de estares com ela em circunstâncias que não te deixavam ser pai", pode-se ler na mensagem, que será lida por antigos colegas da Câmara Municipal do Porto, onde a vítima foi jurista.

AMIGOS MARCAM PRESENÇA NO TRIBUNAL

Cerca de 15 amigos de Cláudio marcaram ontem presença do Tribunal de Águeda, onde foi ouvido António Ferreira da Silva. Também a juíza, filha do homicida, entrou no Departamento de Investigação e Acção Penal, onde se encontrava o suspeito, e manteve-se durante algum tempo no interior.

"Fomos ao tribunal para mostrar a nossa consternação face a um crime desta natureza que levou o nosso amigo", disse ao CM Rita Ramalho, amiga de Cláudio.

O homicida , que chegou ao tribunal ao início da tarde, saiu à noite para a cadeia de Aveiro, onde vai aguardar julgamento.

ferreira da silva oliveira do bairro julgamento
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