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Correio da Manhã

Portugal
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Prisão vai dar livro

Vinte dias depois de viverem enclausurados numa cela que descrevem como “minúscula, tenebrosa e povoada por ratazanas”, João Silva e Paulo Franco – dois dos cinco portugueses detidos no passado dia 16 de Maio por alegada profanação de bandeiras letãs – regressaram finalmente a casa.
18 de Junho de 2007 às 00:00
Os dois portugueses foram recebidos no aeroporto da Portela por dezenas de familiares e amigos
Os dois portugueses foram recebidos no aeroporto da Portela por dezenas de familiares e amigos FOTO: Natália Ferraz
Agora, com a ajuda dos outros cinco camaradas de viagem com quem partilharam a Prisão Central de Riga, prometem transformar a sua experiência prisional num livro.
Os dois jovens, que foram libertados no dia 4 após terem pago uma caução no valor de 3600 euros, aterraram ontem, pelas 10h15, no Aeroporto Internacional de Lisboa. À sua espera estavam os familiares e amigos mais próximos. O ambiente transpirava ansiedade e muita emoção. A administrativa Isabel Ponte, mãe de João, não resistiu a deixar verter lágrimas de felicidade.
João e Paulo, que só devem regressar à Letónia no final do ano para serem julgados, não podiam estar mais aliviados com o regresso a Portugal. “Estamos muito felizes por estar de volta. Foi muito complicado estar preso numa prisão da ex-União Soviética. Ainda por cima por causa de um mal-entendido. Assumimos que roubámos as bandeiras mas nunca as profanámos e nunca tivemos intenção de ofender ninguém”, conta Paulo Franco, de 26 anos, ao CM.
Durante o período de cativeiro, os jovens acusam o Governo letão de ter cometido “irregularidades no processo” e as autoridades de “agressão física violenta”. Por isso, ponderam agora, “se houver um desfecho positivo no caso”, revela Paulo, “avançar com uma queixa no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos” e “processar o Governo da Letónia”.
João, de 27 anos, sofre da doença de Crohn (inflamação crónica intestinal) e chegou a Portugal fisicamente debilitado. Além das dores abdominais perdeu bastante peso. “O meu filho esteve cinco dias sem medicação”, diz ao CM, Carlos Silva, considerando as medidas tomadas pelas autoridades letãs como “excessivas”. João está actualmente a estagiar na Câmara Municipal de Odivelas, mas o pai acredita que este episódio “não vai prejudicar a sua carreira”.
O objectivo dos jovens é agora revelar os pormenores do que passaram na cadeia da Letónia. “Escrevemos um diário, que foi a nossa maior distracção, e vamos transformá-lo em livro para que os jovens saibam o que passámos”, revelou Paulo.
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