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Correio da Manhã

Portugal
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PRIVADOS COM QUALIDADE

“A Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP) é uma defensora intransigente de um sistema de avaliação do ensino superior“, referiu o director executivo João Redondo.
23 de Setembro de 2002 às 21:41
CM - Como classifica a qualidade do ensino superior particular face ao ensino superior público?

João Redondo - O ensino superior particular e cooperativo já deu provas de que, mesmo discriminado pelos poderes públicos e com cerca de um terço dos recursos que o ensino superior público consome, é possível obter resultados equivalentes e até melhores, no que respeita quer à organização das instituições, quer aos resultados e utilidade das formações académicas ministradas.

- A APESP concorda com a adopção de um 'ranking' de universidades e politécnicos?

- A APESP concorda e é uma defensora intransigente de um sistema de avaliação do ensino superior que permita a obtenção e divulgação de informação clara sobre a situação de todas as instituições de ensino superior nas suas diversas componentes. A adopção de um 'ranking', no momento actual, parece-nos demasiado simplista e susceptível de criar distorções na informação que se deve dar à sociedade. Neste momento, o que se torna necessário é que os cidadãos disponham de um conjunto de informação clara, coerente e comparável, sobre os cursos e as instituições que pretendem frequentar, de modo a que a sua opção seja decidida com segurança.

- Quais as causas para a descida gradual do número de alunos inscritos no ensino superior?

- A principal causa do decréscimo do número de alunos inscritos no ensino superior deve-se, essencialmente, a motivos de ordem demográfica. Se a este facto juntarmos as elevadas taxas de abandono escolar e de insucesso verificadas no ensino secundário, muitas delas derivadas de factores sociais e económicos, que o País ainda não foi capaz de resolver, talvez a resposta, em termos genéricos, esteja encontrada. É claro que, sendo esta situação previsível já há alguns anos, se deveria ter tomado medidas que permitissem combater esta tendência, já que Portugal continua a ser um país com uma taxa de frequência do ensino superior ainda longe do desejável, do mesmo modo que ainda conta com um baixo índice de diplomados no mercado de trabalho. Refiro-me a questões como, por exemplo, a alteração dos planos curriculares do secundário, a alteração do regime de acesso e ingresso no ensino superior, o aumento da escolaridade obrigatória, à criação de condições que efectivamente permitam concretizar a igualdade de oportunidades no acesso e na frequência de um curso de ensino superior... De qualquer modo é fundamental que as instituições tomem consciência de que o ciclo de crescimento já terminou há uns anos e que, por isso, devem reformular e reorientar os seus projectos.

- A falta de alunos levará ao encerramento de alguns cursos. Que outras soluções as universidades poderão encontrar?

- A questão da falta de alunos tem de ser equacionada em diferentes perspectivas, resultando daí a solução que se poderá encontrar. É importante saber, por exemplo, se não há interesse generalizado em determinadas áreas científicas, porventura, algumas dessa áreas com interesse estratégico para o País. Como é importante saber se não há alunos em determinado curso de determinada instituição, porque esse curso, nessa instituição não tem procura, devendo analisar-se as causas dessa situação. Outro factor a ter em conta é o de saber se a falta de alunos em determinados cursos se deve a uma oferta manifestamente excedentária em relação à procura. Seja qual for a situação, não restam dúvidas de que é necessário encontrar mecanismos de articulação entre as instituições dos diversos subsistemas (público e privado, universitário e politécnico), que permitam racionalizar os meios e os recursos de que o País dispõe, em termos de garantir uma oferta sustentada e de qualidade nas diferentes áreas científicas.
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