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Correio da Manhã

Portugal
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PROFESSORES DEFENDEM ESCOLAS PÚBLICAS

As federações sindicais representativas dos professores discordam dos critérios e da forma como são interpretados os resultados dos exames nacionais do ensino secundário, por "passarem a ideia" de que a escola privada é melhor do que a pública.
28 de Setembro de 2003 às 00:00
Para os professores, as listagens introduzem factores de perturbação
Para os professores, as listagens introduzem factores de perturbação FOTO: d.r.
Em declarações à agência Lusa, as dirigentes da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Manuela Mendonça, e da Federação Nacional da Educação (FNE), Manuela Teixeira, afirmam que a qualidade da escola não pode ser avaliada apenas com base nos resultados dos exames, defendendo que devem ser tidos em conta outros factores.
"Eu aprecio que o Ministério da Educação este ano não tenha feito um ‘ranking’ e tenha divulgado apenas os resultados dos exames, mas isto não dá para dizer quais são as melhores escolas, porque as escolas não são apenas os resultados dos exames", frisa Manuela Teixeira.
ENSINO E TRABALHO
Para a dirigente da FNE, "não é aceitável que se trate de igual modo os alunos que estão na via de ensino (para prosseguir estudos) e os que estão nos cursos mais voltados para o ingresso no mercado de trabalho".
Da mesma forma, critica que as médias não façam distinção entre o tipo de disciplinas, quando há alunos que têm Matemática, onde as notas são habitualmente mais baixas, e outros não têm.
Considera que deve ser igualmente considerado o número de alunos de cada escola e que mais importante do que divulgar os resultados dos exames é a publicação do resultado por disciplina para que os pais possam orientar os filhos em função dos cursos que pretendem seguir.
Concorda com a publicação dos resultados das escolas, mas reafirma que não servem para se criar um "ranking", devido aos muitos factores que precisam de ser considerados, como, por exemplo, o nível sociocultural dos alunos.
"Há factores de nível social das famílias que aqui ficam bem expressos. Não se pode dizer que a grande maioria do ensino particular é melhor do que o público", diz.
Os resultados que dão uma boa posição aos distritos de Lisboa, Porto e Coimbra mostram "a ligação ao nível social e aos apoios que podem ter", afirma a dirigente da FNE, sustentando que os resultados hoje divulgados não permitem dizer que a melhor escola é o Colégio São João de Brito e a pior a EB 2,3 de Forjães.
Mais crítica, Manuela Mendonça, da Fenprof, classifica os "rankings" como "demagogia" e uma "enorme pressão sobre a escola", que se transforma numa "rivalidade mercantilista", excluindo factores importantes que fazem parte da escola e da vida dos alunos, como a localização do estabelecimento de ensino, a oferta de opções para a via de ensino, as possibilidades económicas das famílias e as condições de trabalho dos professores.
"Um exame escrito avalia determinado tipo de conhecimentos de um aluno, mas deixa de fora outras áreas importantes da escola", afirma a professora. "Os ‘rankings’ nem avaliam a escola, nem fornecem ao cidadão informação sobre tudo o que se faz na escola. Não se faz avaliação só de papel e lápis", considera.
ALERTA
A Fenprof manifesta o seu receio pela selectividade de alunos nas escolas privadas, que competem para ter os melhores alunos, podendo rejeitar jovens com necessidades específicas de ensino.
A dirigente sindical Manuela Mendonça diz ainda que uma escola que é publicamente apresentada como uma má escola está condenada. “Tudo isto serve para descredibilizar a escola”, sustenta.
250 EUROS DE MENSALIDADE
A escola que obteve a melhor média nacional nos exames do ensino secundário - Colégio São João de Brito, com 14,19 valores - tem listas de espera de anos, mensalidades de 250 euros, além dos extras, e selecciona os seus alunos.
Aos 250 euros de mensalidade acrescem ainda extras, como a alimentação, a ginástica, o teatro ou qualquer outra actividade adicional.
Para o director do ciclo secundário, António Valente, "o segredo do sucesso" de uma escola que "em matéria de ensino tem o mesmo programa e a mesma carga horária" que os outros estabelecimentos de ensino, garante António Valente, está numa "mais-valia que advém de um conjunto de experiências" vividas pelos alunos.
JUSTINO INCENTIVA PAIS
O ministro da Educação, David Justino, defendeu ontem, em Gaia, a participação dos pais na definição do futuro modelo de educação para Portugal.
"Esta Lei de Bases não é só uma espécie de enquadramento do presente, é, sobretudo, um projecto para o futuro e os pais têm um papel decisivo na discussão do novo tipo de escola que queremos", afirmou David Justino.
Falando para uma plateia de pais, professores e deputados, David Justino considerou o seminário que decorreu em Gaia como um "incentivo para que se repitam por todo o País encontros para debater, sem salamaleques, o sistema educativo".
Por seu turno, o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, aproveitou a deslocação do ministro da Educação para, mais uma vez, defender a alteração da lei de finanças locais. No caso da educação, defendeu uma nova lei, na qual o financiamento seja indexado aos serviços que cada autarquia presta.
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