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Correio da Manhã

Portugal
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PROMOTORES DE MANUAIS BANIDOS DAS ESCOLAS

Os promotores de editoras vão ser banidos das escolas públicas, anunciou ontem o Ministro da Educação, que afirmou ainda que vai mudar os critérios de escolha dos manuais escolares.
28 de Setembro de 2002 às 23:02
"Vou alterar os critérios de adopção dos manuais escolares. Não quero ver as escolas a ser visitadas por uma espécie de delegados de propaganda médica e vou lutar contra isso até ao fim", assegurou David Justino, indiciando que vai retirar às escolas alguma "margem de manobra" na escolha dos livros a usar pelos seus alunos.

Ao anunciar que quer banir das escolas os promotores das editoras, David Justino frisou que dessa forma pretende travar práticas comerciais que considerou escandalosas, "ainda que legais".

Ao rotular de "preocupantes" os valores cobrados pelos manuais escolares, nomeadamente nos 5º, 7º e 10º anos de escolaridade, o ministro admitiu que essas práticas comerciais são "legais" porque "a legislação tem buracos suficientes para os editores alijarem a sua responsabilidade social".

"Podem contar com o meu empenho para combater este estado de coisas", prometeu David Justino, que falava em Espinho ante membros da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAG), na abertura de um seminário intitulado "Mudanças na Educação".

Apelo à convergência

Num plano mais geral, o ministro reconheceu que a educação "tem estado excessivamente em mudança nos aspectos que conferem instabilidade ao sistema", transformando os alunos em "cobaias".

Apelou à convergência de todos os intervenientes no processo educativo para que abandonem uma postura "decadentista e pessimista", convergindo em torno da ideia de "qualificar o sistema na estabilidade e na confiança". Embora considerasse que a qualificação do sistema "vai ter de passar pelos professores", que classificou como "o instrumento fundamental", David Justino avisou que o aluno é o centro do sistema.

“Por isso, ao definir estratégias, em primeiro lugar ponho os alunos. Não os posso sacrificar a outros interesses, uns mais corporativos do que outros”, sublinhou.

No seu discurso em Espinho, o ministro anunciou um programa para reabilitação do parque escolar do primeiro ciclo do ensino básico, denominado PERED1, que vai avançar experimentalmente no Alentejo e que progressivamente se estenderá a outras zonas do País.
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