O professor do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) junta assim a sua voz a José Veiga Simão, Sérgio Machado dos Santos e António de Almeida Costa que fizeram a mesma proposta no livro “Ensino Superior: Uma Visão para a Próxima Década”, ontem apresentado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e já alvo de notícia no Correio da Manhã.
No final da cerimónia,o primeiro-ministro, Durão Barroso, defendeu ser a sua presença sinónimo de “compromisso em lançar um grande debate nacional” sobre a reforma no Ensino Superior.
“É desejável um consenso nacional tão amplo quanto possível, sem que esse consenso seja sinónimo de adiar”, referiu o governante, acrescentando contar apresentar até ao fim da actual sessão legislativa os instrumentos necessários às reformas do Ensino Superior.
Sobre as propinas, Durão Barroso considerou que “mais qualidade implica aumentar os recursos disponíveis” e que, por isso, “o esforço terá de recair nos alunos e nas famílias”. Salvaguardou, porém, que “ninguém deixará de frequentar o Ensino Superior por falta de recursos financeiros”.
Antes, em Aveiro, o ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce, defendeu, a propósito deste livro, que “todos os contributos são importantes para melhorar o Ensino Superior”, e que “numa matéria desta importância não deve ser limitada a discussão”.
FINANCIAMENTO POR MÉRITO
Crespo de Carvalho propõe ainda que as universidades sejam financiadas de acordo com critérios objectivos definidos a priori. Nomeadamente, o professor de gestão sugere o modelo norte-americano, segundo o qual as universidades são financiadas de acordo com uma tabela definida em função do rendimento líquido médio dos seus graduados no primeiro ano de profissão.
De igual modo, Crespo de Carvalho defende para os docentes universitários um modelo de avaliação por mérito e não por anos de serviço. Como exemplo, sugeriu inquéritos, de resposta objectiva, feitos aos estudantes.
Foi sob este lema, encimado num cartaz, que mais de meia centena de jovens futuros professores se manifestaram ontem frente ao Ministério da Educação, na 5 de Outubro, Lisboa, para mostrar o seu desagrado ao ministro David Justino.
Os estudantes das Escolas Superiores de Educação (ESE), além dos das Faculdades de Letras e de Ciências, queixam-se do facto de as candidaturas aos lugares serem Janeiro, o que deixa os recém-licenciados em inactividade durante mais de um ano, porque os cursos terminam em Maio.
“O que vamos fazer durante mais de um ano? Os governantes têm de ser responsáveis pelos empregos das pessoas”, declara Norberto Simões, da associação de estudantes. “Muitos não teriam ido para esta área”, refere.
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