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Correio da Manhã

Portugal
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Proprietários recusam Polis

Entre as 140 casas degradadas do Centro Histórico de Viana do Castelo, a de Aníbal Macedo é, porventura, a que se encontra em pior estado, mas continua a ser “indispensável” para muitos dos sem-abrigo da cidade.
26 de Março de 2007 às 00:00
Aníbal Macedo, 46 anos, reformado há oito, é inquilino do n.º 38 da Travessa do Hospital Velho, a “dois passos” da praça principal da cidade, onde (sobre)vive em condições verdadeiramente degradantes, sem quaisquer condições de higiene.
A casa não tem água nem quarto de banho. As paredes estão pretas da humidade e o tecto ameaça ruir a todo o momento. Chove lá dentro e o frio é de rachar. Volta e meia, aparecem ratos e pulgas. O cheiro é pestilento.
Apesar de tudo isto, e porque como diz, gosta de ajudar os outros, Aníbal Macedo todos os dias abre as portas do seu lar, acolhendo outras pessoas que, apesar de tudo, “ainda vivem pior” que ele.
Aníbal Macedo paga 8,5 euros de renda e garante que não sai daquela casa “por nada deste mundo”.
Há cerca de seis anos, o Gabinete Técnico Local (GTL) da Câmara de Viana do Castelo inventariou 320 casas degradadas no Centro Histórico da cidade, um número que actualmente, e segundo o autarca Defensor Moura, se cifra em 140, ou seja, menos de metade.
Rendas baixas e inquilinos pobres é o que impede maior sucesso ao programa Polis, Mesmo assim Defensor Moura diz que “recuperar 180 casas no centro histórico de uma cidade é algo de extraordinário”.
Os 140 imóveis degradados chocam visivelmente com o programa de requalificação urbana da cidade que intervém em três grandes frentes, uma delas precisamente o Centro Histórico.
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