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Correio da Manhã

Portugal
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Prostitutas na manif do Dia do Trabalhador

Querem ser reconhecidas como pessoas e como trabalhadoras da indústria do sexo.
28 de Abril de 2010 às 00:30
Participação das prostitutas surge integrada num movimento homossexual
Participação das prostitutas surge integrada num movimento homossexual FOTO: Tiago Sousa Dias

Um grupo de prostitutas desfila no dia 1 de Maio na manifestação da CGTP/IN, entre o Martim Moniz e a Alameda, em Lisboa, integrado no movimento homossexual das Panteras Rosa e da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta. Querem ser reconhecidas como pessoas e como trabalhadoras do sexo.

A presença de prostitutas e de prostitutos na manifestação do Dia do Trabalhador está a ser preparada com algum secretismo. A própria mobilização tem sido difícil, de acordo com o porta-voz do movimento Panteras Rosa, Sérgio Vitorino. A iniciativa, diz, 'envolve pessoas cuja exposição pública pode criar dificuldades no seu dia-a-dia'. Algumas prostitutas do Restelo, por exemplo, temem que familiares e amigos descubram que obtêm rendimento com a venda do corpo.

Segundo Salomé Coelho, vice--presidente da UMAR, todo o grupo irá vestido de vermelho ou, em alternativa, levará chapéus-de--chuva vermelhos e cartazes com a inscrição 'trabalhadoras do sexo'. Os chapéus vermelhos, explica, são 'o símbolo da luta dos trabalhadores sexuais'.

'Dessa forma seremos todos vistos como trabalhadores do sexo, independente de o sermos ou não', disse Salomé Coelho.

O CM sabe que foram estabelecidos contactos com várias instituições que promovem apoio às prostitutas para estarem também presentes na manifestação.

Fonte da direcção da Obra das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, em Lisboa, confirmou a realização da manifestação. As freiras que ajudam as prostitutas a encontrar uma solução profissional que lhes permita abandonar a prostituição não irão, contudo, desfilar.

'As mulheres irão estar presentes como trabalhadoras do sexo mas nós entendemos que não são trabalhadoras, mas sim vítimas. Precisam de dar o salto para abandonar a prostituição', referiu a mesma fonte.

PORMENORES

PROSTITUTAS NACIONAIS

56 por cento da prostituição em Portugal é praticada por portuguesas, revela o relatório europeu da Tampep 8.

CGTP DESCONHECE

O sindicato organizador da manifestação desconhece a participação das prostitutas.

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