Protesto contra cortes junta escolas

Uma caminhada pela manutenção dos contratos de associação entre o Estado e as escolas privadas juntou ontem, em Leiria, os colégios de Nossa Senhora de Fátima e Conciliar de Maria Imaculada e a Escola de Formação Social, que representam mais de 1300 estudantes. Com frases-chave inscritas em cartazes, como "liberdade", "escolha" e "ensino", os manifestantes defenderam que o modelo actual "é melhor e tem menos custos para o País".
15.12.10
  • partilhe
  • 0
  • +
Protesto contra cortes junta escolas
A manifestação juntou centenas de alunos, professores e pais, que desfilaram pelo centro da cidade Foto Ricardo Graça

Os alunos, acompanhados por pais e professores, manifestaram-se entre as 14h30 e as 17h00, fazendo a pé o percurso entre as respectivas escolas, o centro da cidade e a Câmara. Na manifestação, organizada pelas associações de pais e direcções das escolas, foram entoadas palavras como "respeito" e "igualdade". "Temos qualidade" e "queremos existir" foram algumas das frases exibidas em cartazes, ao som de vuvuzelas.

O presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Colégio de Nossa Senhora de Fátima considera que acções como esta podem fazer recuar o Governo. "Eu acredito que sim. Por isso é que estamos aqui a trabalhar e, sobretudo, a informar, porque creio que há uma falta de informação muito grande da população sobre esta questão", disse Carlos Carvalho.

A Câmara de Leiria vai reunir o Conselho Municipal da Educação para analisar o "impacto" da decisão governamental, que "a autarquia vê com muita preocupação", pela influência que terá na sustentabilidade do ensino no concelho.

"EM VEZ DE TESTES, FAZEMOS MANIFESTAÇÕES"

"A instabilidade que foi criada faz com que, em vez de andarmos preocupados com os testes e as notas, tenhamos de fazer manifestações", disse ao CM João Muñoz, vice-presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo. O diploma do Governo aguarda promulgação presidencial e o dirigente tem esperança de que Cavaco Silva trave as medidas previstas.

Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), critica a intenção do Governo de que os contratos de associação tenham a duração de um ano. "Não é uma medida razoável nos locais onde não há alternativa na rede pública. As famílias não matricularão os filhos sem saber o que se passará no ano seguinte", disse.

ENCERRAMENTO PREOCUPA BISPOS

A manifestação de ontem em Leiria aconteceu um dia após os bispos do Centro, reunidos em Coimbra, terem demonstrado a sua "apreensão" pela alteração do regime de contrato entre o Estado e as instituições particulares de ensino e a revisão do modelo de financiamento das escolas. "Este problema causa-nos apreensão. Se há escolas particulares que vão manter-se, embora com dificuldades, outras terão mesmo de encerrar", disse o bispo de Coimbra, D. Albino Cleto. Lembrou ainda que em causa estão 93 escolas particulares com contratos de associação com o Estado, algumas das quais, caso encerrem, "terão de pagar indemnizações a professores". Os bispos da região Centro analisaram ainda o "direito" das famílias a escolherem "a escola que acharem melhor para os seus filhos". O diploma que altera o regime de contrato entre o Estado e as instituições particulares de ensino foi aprovado em Novembro em Conselho de Ministros.

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!