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Correio da Manhã

Portugal
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Protesto dura há um mês

Maximina Nobre, a encarregada do lar da Santa Casa da Misericórdia de Avis, Portalegre, que no passado dia 28 de Fevereiro foi alvo de um processo disciplinar com vista ao seu despedimento por justa causa, continua sem saber as razões que levaram a direcção da instituição a tomar tal decisão. Por isso, como confirmou ao CM, vai iniciar hoje a quinta semana de protesto à porta da instituição.
28 de Março de 2005 às 00:00
“Enquanto não me informarem das razões que levaram ao meu despedimento continuo dentro do carro a cumprir o horário de trabalho”, garantiu Maximina Nobre. No entanto, o protesto poderá não demorar muitos mais dias, uma vez que este caso começará a ser julgado no final da semana pelo Tribunal de Trabalho.
Tal como o CM noticiou na edição de 4 de Março, na base deste despedimento terá estado a recusa de uma canja a um idoso que estava com uma paragem gástrica. No entanto, está poderá não ser a principal razão do processo disciplinar, uma vez que a funcionária, de 48 anos, está prestes a abrir um lar particular na vila. “Desde que iniciei o projecto tenho sido perseguida, mas nem quero acreditar que seja essa a razão do meu despedimento”, referiu.
Na últimas quatro semanas, Maximina Nobre tentou por “inúmeras vezes” esclarecer a sua situação com a direcção do lar, mas os seus intentos esbarraram sempre com o “o silêncio” dos responsáveis da instituição em causa.
Aliás, os únicos esclarecimentos da instituição sobre este caso foram emitidos através de um comunicado, no qual é apenas referido que “só o Tribunal de Trabalho e as instâncias superiores terão legitimidade para se pronunciar sobre os mesmos”. Contudo, o documento informa ainda que esta funcionária foi sancionada com uma suspensão de trabalho e perda de vencimento há cerca de um ano, no seguimento de um outro processo disciplinar, cuja legalidade foi comprovada pelo mesmo tribunal.
“Fui alvo de um outro processo porque não concordei com a contratação de uma funcionária vinda do Centro de Emprego que, sem ter qualquer experiência nesta actividade, passou a chefiar-me”, disse.
COLEGAS EM SILÊNCIO
“Não posso falar” ou “desconheço o que se passou”. São as respostas de alguns dos colegas de trabalho de Maximina Nobre. Durante a hora de almoço, o CM tentou perguntar aos profissionais do lar qual a opinião sobre este caso. No entanto, e apesar de haver quem tivesse uma opinião formada sobre este processo disciplinar, ninguém quis desafiar as ordens instauradas pela entidade patronal.
“Podem até ter uma opinião favorável a meu respeito, mas se dizem alguma coisa são capazes de ficar também sujeitas a um processo”, referiu Maximina Nobre.
BLOCO DE NOTAS
TRIBUNAL
O processo disciplinar de Maximina Nobre começará a ser julgado na próxima quinta-feira no Tribunal de Trabalho, em Portalegre. A primeira audiência, segundo a funcionária, está agendada para as 11h30.
PROCESSO
A funcionária, divorciada e com um filho, foi informada do despedimento pelas 11h00 do último dia de Fevereiro. Nessa manhã, terá sido obrigada a entregar as chaves e a abandonar de imediato as instalações.
ANTIGUIDADE
Admitida em 1979, Maximina é a mais antiga funcionária da instituição. Por isso, reúne vários apoios dos populares. José Maria, 63 anos e utente do lar, disse que se não fosse esta mulher “já estaria debaixo da terra”.
LAR DA SRª DA ORADA
O Lar de Nossa Senhora da Orada, pertença da Santa Casa da Misericórdia de Avis, conta actualmente com cerca de 70 utentes e 30 empregados. Além do internamento, a instituição presta também apoio domiciliário.
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