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Correio da Manhã

Portugal
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Protesto pára Ensino

Quase metade dos jardins-de-infância e escolas do Ensino Básico e Secundário estiveram fechados ontem. A greve dos professores e educadores de infância – que teve uma adesão a rondar os 80 por cento – atirou para os recreios e para casa milhares de alunos. De um total de 14 054 estabelecimentos, 5902 (42 por cento) mantiveram-se encerrados.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Os docentes trocaram as aulas pela rua e em todo o País estiveram fechadas 5900 escolas (42 por cento do total). Em Lisboa a manifestação reuniu seis mil pessoas
Os docentes trocaram as aulas pela rua e em todo o País estiveram fechadas 5900 escolas (42 por cento do total). Em Lisboa a manifestação reuniu seis mil pessoas FOTO: Jorge Godinho
Em Lisboa, a manifestação reuniu quase seis mil professores. No Ministério da Educação foi entregue uma coroa de flores, numa “homenagem póstuma à actual política educativa”. Entre apupos e palavras dirigidas à equipa ministerial – “canalhas”, “caloteiros” e “mentirosos” foi o que mais se ouviu –, os professores exigiram a demissão da ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, que se encontrava em Faro.
EM LUTA AOS 18 MESES
Ana Rita Amaro é professora do 3.º Ciclo e Secundário em Alverca e levou a filha de 18 meses ao protesto. “É pelo futuro dela, também está em luta.” Critica o facto de “dar aulas ao 3.º Ciclo e ter de ir entreter crianças de seis anos, sem ter qualquer formação”.
Vinda de Almodôvar, Anabela Farinho gostaria de perguntar à ministra “se sabe o que é ser professor com 50 anos”. A educadora critica a falta de condições. “No Verão não há ar condicionado, no Inverno falta aquecimento e os edifícios são do tempo do Salazar.”
BOLA E MATRAQUILHOS
Na Secundária Padre António Vieira (Lisboa) mais de metade dos professores aderiu à greve. “Há muitos anos que não faziam greve, é um número elevado”, considerou Helena Pinto, vice-presidente do Conselho Executivo. Ricardo e Fábio, alunos do 10.º ano, apenas não tiveram Matemática. “Não nos importamos de cá ficar, há a sala de leitura, jogamos à bola e matraquilhos.”
Na EB23 Miraflores (Oeiras), Francisco Duarte, do 5.º ano, esteve a manhã toda no recreio. “Não houve aulas e como os professores não avisaram, vim para a escola como nos outros dias.”
Nem para aulas de substituição houve professores. “Pelo menos aí jogamos à forca, às palavras cruzadas, ao galo, ao su doku, sempre nos entretemos.”
OS NÚMEROS
NORTE QUASE TOTAL
Segundo os sindicatos, dos 56 mil professores da região Norte, mais de 47 mil fizeram greve. Um terço das EB1/JI fecharam portas, assim como 13,7 por cento das EB23. Na região Centro, 29 por cento das EB1/JI estiveram fechadas.
LISBOA A MEIO-GÁS
Quinze EB23 de Lisboa encerraram. No total, 38 por cento das EB1/JI da região de Lisboa e cinco por cento das EB23 e secundárias estiveram fechadas.
ALENTEJO PARADO
Oitenta por cento dos professores do Alentejo fizeram greve. A tutela diz que 38 por cento das EB1/JI estiveram encerradas.
MINISTÉRIO MINIMIZA
O Ministério da Educação informou que apenas entre 23 e 51 por cento dos professores não esteve nas escolas ontem.
"NÃO SEI SE HÁ JUSTIFICAÇÃO PARA A GREVE"
“Não sei se há justificação para a greve dos professores nem se a compreendo”, disse ontem a ministra da Educação, no Algarve (região que registou o maior nível de adesão à greve nas escolas do 1.º Ciclo). Para Maria de Lurdes Rodrigues, a greve traduz “um sentimento de mal-estar”, resultante das alterações introduzidas pelo Governo. “Algumas escolas conseguiram organizar-se para se adaptar às novas exigências; outras tiveram mais dificuldades.”
Confrontada com os apelos a um ano zero de preparação, a ministra respondeu: “A intervenção política na área da educação não se compadece com isso e o que estou a pedir aos professores não é nada de extraordinário”. E concluiu: “É preciso que as escolas compreendam que as faltas têm efeitos muito negativos sobre os alunos”.
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