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Correio da Manhã

Portugal
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PSP assume dois dos oito crimes de abuso sexual

O agente da PSP que começou esta terça-feira a ser julgado no Tribunal do Seixal por abuso sexual de uma menor assumiu apenas dois dos oito crimes de que é acusado e afirmou que a menina "era muito astuta".
14 de Junho de 2011 às 14:22
Homem afirmou que a menor falava "recorrentemente de sexo", que "era muito astuta nesse aspecto" e "costumava tentar tocar-lhe"
Homem afirmou que a menor falava 'recorrentemente de sexo', que 'era muito astuta nesse aspecto' e 'costumava tentar tocar-lhe' FOTO: d.r.

O homem, de 48 anos, e que continua a exercer funções na polícia, em serviços internos, é também acusado de um crime de peculato de uso.         

De acordo com o despacho da acusação, entre 15 de Setembro de 2006 e Agosto de 2007, o homem, que era à data agente principal da PSP no comando distrital de Setúbal, terá abusado da filha da mulher com quem vivia, e que tinha na altura sete anos.         

Esta manhã, perante o colectivo de juízes, o agente assumiu que "por uma vez", numa ocasião em que levou a menina a um armazém que serve de depósito da PSP no Bairro da Bela Vista, em Setúbal, onde ia cumprir uma tarefa que lhe tinha sido delegada, abusou dela.         

O arguido assumiu ainda que o episódio se repetiu "um outro dia" na cozinha da casa onde viviam, mas garantiu que foi a menina que tomou a iniciativa. 

O homem afirmou que a menor falava "recorrentemente de sexo", que "era muito astuta nesse aspecto" e "costumava tentar tocar-lhe".          

O homem afirmou ainda que gostava da menor "como de uma filha" e disse que "os dois episódios foram momentos de descontrolo e de fraqueza".         

A menor, hoje com 12 anos, não foi ouvida em julgamento. A mãe, que é testemunha no processo, e que desencadeou a acusação com uma denúncia apresentada na Polícia Judiciária no dia 2 de Novembro de 2007, negou as afirmações do arguido a respeito da vítima.          

A mulher contou ao colectivo de juízes que começou a desconfiar da situação quando ouviu a menor ameaçar o padrasto de que contaria à mãe o que se passava.

A mãe da vítima afirmou ainda que a menina não terá falado mais cedo por "era chantageada pelo padrasto".           

A vida da menor, acrescentou, "passou a ser cheia de medos": "A minha filha tem muitos pesadelos. Ela tinha medo que ele fosse à escola, que ele nos fizesse mal por causa da denúncia. As notas dela são más e o seu comportamento é depressivo".         

O julgamento continua na próxima terça-feira, a partir das 14h00, no Tribunal Judicial do Seixal.            

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