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Correio da Manhã

Portugal
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PSP esconde suicídios

Dos 20 elementos das forças de segurança que se suicidaram nos últimos anos, nenhum se matou por causa da profissão. Esta é uma das conclusões do estudo que o Governo encomendou à Sociedade de Suicidologia e que já está no Ministério da Administração.
14 de Dezembro de 2006 às 00:00
O subcomissário Martins suicidou-se quatro meses após acabar o curso
O subcomissário Martins suicidou-se quatro meses após acabar o curso FOTO: Natália Ferraz
A PSP não revela o número de suicídios na instituição, mas o elevado número de casos entre as forças de segurança levou o ministro da tutela, António Costa, a solicitar à Sociedade de Suicidologia um estudo aprofundado. Das autópsias psicológicas realizadas aos agentes que se suicidaram nos últimos anos, nenhuma revelou razões profissionais.
A conclusão foi avançada ontem numa conferência sobre ‘O Suicídio na PSP: Causas e Medidas de Prevenção’, onde uma psicóloga do Gabinete de Psicologia da PSP reconheceu que faltam em Portugal estudos sobre o tema. “Nos EUA e no Reino Unido há muita investigação sobre o suicídio na Polícia. Em Portugal, o gabinete de Psicologia da PSP existe há apenas cinco anos e ainda está a adoptar uma estratégia”, disse.
O estudo encomendado pelo Governo pretende ser já uma base. Um assessor do ministro, que também esteve no debate organizado pelos novos alunos do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna da PSP, avançou com a hipótese de uma maior articulação entre o gabinete de psicologia da PSP – que dispõe apenas de seis psicólogos para 22 mil polícias – com outros serviços de psicologia do País. Referiu ainda a pertinência de os elementos da PSP– que todos os anos prestam serviço longe de casa e da família – serem alojados num local comum, à semelhança do que ocorre com os militares da GNR, que estão aquartelados.
Susana Monteiro, psicóloga do Centro de Formação e Investigação em Psicologia, apresentou um estudo concluído em Setembro último sobre o ‘Impacto do Stress Profissional no Bem-estar dos Polícias de Três Unidades da PSP’: Banda de Música, Corpo de Intervenção (CI) e Esquadra de Investigação Criminal. Concluiu que o CI e a Banda de Música apresentam igual nível de stress e que 49,9 por cento dos polícias entrevistados considera a sua profissão muito stressante. O subcomissário Silva referiu os factores de risco na profissão: o isolamento da família, a cultura policial que obriga a não pedir ajuda, o fácil acesso a armas de fogo e o stress.
PORMENORES
TRÂNSITO
O subcomissário Carlos Martins foi o último oficial da PSP a se suicidar numa rua de Lisboa. Tinha saído há quatro meses do Instituto Superior de Ciências Policiais e estava a comandar uma esquadra de Trânsito.
ISOLAMENTO
A maior parte dos polícias que cometem suicídios tem entre os 24 e os 30 anos e recorrem à arma de fogo, seja ela pes-soal ou de serviço. Entre 1990 e 2004, a maior parte dos polícias que se suicidou era do Interior do País e estava ao serviço do Comando de Lisboa.
DUPLICARAM
A partir de 2002, os suicídios duplicaram em Portugal. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 90 por cento dos suicídios tem por detrás perturbações mentais e não apenas stress profissional. Há mais mortes por suicídio do que por homicídio.
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