Homem foi baleado mortalmente por um agente na madrugada de segunda-feira.
A PSP voltou, esta quarta-feira, a negar "clara e perentoriamente" que tenha entrado na casa de Odair Moniz, baleado mortalmente por um agente na noite de segunda-feira, depois de a família ter garantido que os polícias entraram à força.
"Refutamos clara e perentoriamente (...), nunca houve entrada dentro de nenhuma residência forçada por parte da PSP", disse o diretor nacional em substituição da PSP, Pedro Gouveia, em conferência de imprensa sobre os distúrbios na Área Metropolitana de Lisboa.
Vizinhos da família de Odair Moniz acusam a polícia de ter entrado na casa da vítima na terça-feira à noite "sem qualquer justificação".
"A polícia invadiu a casa do morto. Eu estava na porta. Empurraram a porta e depois corri para a sala e depois a senhora [viúva] levantou a fotografia [de Odair Moniz]", declarou Delfina, moradora no bairro do Zambujal, à agência Lusa.
Esta testemunha mostrou à Lusa um ferimento no braço esquerdo, alegadamente por ter tentado fechar a porta aos "agentes da polícia".
A vizinha de Odair Moniz disse ainda que se dirigiu ao apartamento para apresentar os pêsames à família.
"O que se passou foi uma intervenção inicial num outro prédio onde foi pedido à PSP intervenção e apoio para uma criança que estava a necessitar de apoio médico. Houve uma equipa que acompanhou esse apoio a pedido da família dentro de um prédio e a polícia entrou nesse prédio para fazer esse apoio [aos bombeiros], explicou Pedro Gouveia.
O superintendente avançou que "na saída do prédio do homem que morreu havia um conjunto de pessoas que estavam aglomeradas à entrada e a polícia interveio para que entrassem dentro da habitação e que não se mantivessem no exterior tendo em conta a desordem generalizada que havia no local".
"Entraram para dentro do átrio desse prédio, nunca entraram dentro de nenhuma residência", precisou.
Questionado sobre os motivos de a PSP não ter avançado com esta explicação no comunicado divulgado hoje de manhã, Pedro Gouveia afirmou que a polícia se "limitou a definir aquilo que aconteceu".
"Aquilo que aconteceu foi refutar a acusação que tinha sido feito de que tinha entrado à força numa residência, nomeadamente na residência da pessoa que faleceu criando uma situação de alteração de ordem pública com a família e isso não aconteceu", disse ainda.
Na conferência de imprensa, a PSP assegurou que vai ter "tolerância zero" sobre desacatos como os que se verificaram na última noite na área metropolitana de Lisboa, desencadeados pela morte de um cidadão baleado pela PSP.
"É importante salientar que repudiamos claramente e que temos e teremos tolerância zero a qualquer ato de desordem e destruição praticados por grupos criminosos que, apostados em afrontar a autoridade do Estado e perturbar a segurança das comunidades, executam ou têm vindo a executar as ações que os jornalistas têm presenciado", disse o diretor nacional em substituição da PSP.
Estes desacatos decorreram após Odair Moniz, de 43 anos e morador no Bairro do Zambujal, ter sido baleado mortalmente por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, no mesmo concelho, e ter morrido pouco depois no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.
Segundo a PSP, o homem pôs-se "em fuga" de carro depois de ver uma viatura policial e "entrou em despiste" na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, "terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca".
A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigiram uma investigação "séria a isenta" para apurar "todas as responsabilidades", considerando que está em causa "uma cultura de impunidade" nas polícias.
A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um inquérito urgente e também a PSP anunciou um inquérito interno.
Segundo a PSP, os dois agentes estão agora em serviço administrativo e a receber apoio psicológico.
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