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Correio da Manhã

Portugal
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Punha mulher a traficar

Era discreto e nem contactava directamente com os subordinados, que não o conheciam. O cabo-verdiano, de 27 anos, liderava uma rede de tráfico de droga que funcionava num apartamento da centro da Arrentela, Seixal. Para não ser apanhado punha a mulher, da mesma nacionalidade, a fazer o trabalho ‘sujo’. Era ela que contactava com os dois vendedores contratados pelo líder e com alguns consumidores. Os quatro foram detidos na ‘Operação Cusco’ da Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da PSP do Seixal. O líder está em preventiva.
29 de Agosto de 2005 às 00:00
A PSP apanhou dinheiro, droga, um crachá policial e diversos artigos de electrónica e bicicletas possivelmente furtados e receptados
A PSP apanhou dinheiro, droga, um crachá policial e diversos artigos de electrónica e bicicletas possivelmente furtados e receptados FOTO: d.r.
O quarteto – três cabo-verdianos e um português entre os 18 e os 28 anos – tinha uma casa na Av. da República onde vendia a droga. A habitação tinha sido ocupada após o anterior dono ter sido preso também por tráfico. Tudo se passava ‘nas barbas’ da população e a 50 metros da Junta de Freguesia.
O líder do grupo nunca pôs os pés nesse apartamento onde a droga era vendida. O cabo-verdiano (que viveu grande parte da vida na Damaia) era, segundo fonte policial, “muito discreto” e geria o negócio com recurso à mulher. Era ela quem ia à casa da Av. da República entregar a droga aos dois subordinados, que a vendiam aos consumidores. Era ela que regressava depois à casa do casal com o dinheiro e artigos receptados.
“Ele mantinha-se nesse apartamento, não muito longe, onde guardava a droga e os artigos entregues pelos consumidores em troca de droga. Passava despercebido e não ostentava sinais de riqueza”, diz a PSP.
O grupo fazia-se rodear de outras medidas de segurança. A porta (de madeira) do apartamento tinha uma abertura circular em vidro por onde era feito o tráfico.
Mas o que mais surpreendeu os 13 elementos da EIC que realizaram a busca à casa foi o facto de, dentro do apartamento e a cerca de meio metro da porta de madeira, estar uma outra porta em grade que impedia o acesso ao interior da habitação. “Estavam prevenidos para qualquer eventualidade”, referiu a fonte policial. Ainda assim a ‘Operação Cusco’ decorreu sem incidentes.
O negócio – que durava há cerca de 5 meses e foi investigado nos últimos três por iniciativa da EIC do Seixal – foi desfeito na quinta-feira. Os quatro foram detidos e a PSP apreendeu 2500 doses de cocaína, 950 de heroína, diversos comprimidos (Noostan), medicamentos para o corte da droga e 2650 euros em notas e moedas.
As autoridades apanharam ainda um crachá policial, peças em ouro (fios e anéis) e material electrónico e bicicletas possivelmente furtadas e receptadas.
Indiciados por tráfico e receptação de material furtado, os quatro foram presentes a tribunal. O líder da rede recolheu à cadeia do Montijo em prisão preventiva. A mulher ficou com apresentações bi-semanais e os dois vendedores com apresentações semanais à PSP.
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