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Correio da Manhã

Portugal
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Purificadores de água "não fazem sentido"

Os purificadores da água da torneira que se encontram à venda no mercado "não fazem qualquer sentido" em locais onde existe rede pública de distribuição, que tem qualidade adequada ao consumo, defende a Entidade Reguladora dos Serviços da Água e Resíduos.
17 de Outubro de 2011 às 13:34
Os purificadores da água da torneira que se encontram à venda no mercado "não fazem qualquer sentido" em locais onde existe rede pública de distribuição, que tem qualidade adequada ao consumo
Os purificadores da água da torneira que se encontram à venda no mercado 'não fazem qualquer sentido' em locais onde existe rede pública de distribuição, que tem qualidade adequada ao consumo FOTO: d.r.

A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) recebeu vários pedidos de esclarecimento acerca destes equipamentos, cujo funcionamento é normalmente demonstrado por pessoas das empresas que os comercializam nas casas dos consumidores.

Nesse sentido, o director do departamento de Qualidade da Água da ERSAR, Luís Simas, esclarece que tais demonstrações são "publicidade enganosa", uma vez que é dito aos consumidores que a água proveniente da rede pública não é boa para consumo. Opinião semelhante é transmitida pela jurista da associação de defesa do consumidor - DECO Carolina Gouveia, ao salientar que "grande parte das vendas dos purificadores são feitas com técnicas de venda agressivas".  "Os aparelhos não têm qualquer efeito prático na qualidade da água", acrescenta.

Os equipamentos chamados de purificadores realçam todas as substâncias que estão na água através de um processo de eletrólise. Aqueles elementos são atraídos para o aparelho colocado na água, juntam-se à sua volta dando origem a uma aglutinação, "uma pasta, com impacto visual negativo, mas que nada tem a ver com a qualidade", especificou Luís Simas.

Aliás, os possíveis "contaminantes não aparecem nesta experiência", assegurou. "Aquelas substâncias fazem parte da composição de uma água mineralmente equilibrada", referiu o responsável da ERSAR, concluindo "existir publicidade enganosa" da parte daquelas empresas ao transmitirem que "a água tem má qualidade e é prejudicial à saúde".

Com preços que podem chegar aos 2.500 euros e vendidos a prestações, os equipamentos "não fazem qualquer sentido em casas situadas em locais onde há rede de distribuição pública", realçou Luís Simas.

A DECO registou 13 processos de mediação jurídica relacionados com duas marcas destes equipamentos, a maioria no norte do país, no Porto e Viana do Castelo, mas o número de pedidos de esclarecimento e reclamações é mais elevado. A jurista Carolina Gouveia esclareceu que a compra pode ser cancelada no prazo de 14 dias após a sua concretização.

Segundo o relatório para 2010, divulgado pela ERSAR no final de setembro, a água das torneiras continua a apresentar "excelente" qualidade e foram cumpridos 97,71 por cento dos parâmetros estipulados, podendo os portugueses consumi-la sem problemas em todo o país.

Cerca de 650 mil análises realizadas por ano, de 50 parâmetros, revelam "um cumprimento acima dos 97 por cento, o que é, em termos internacionais, considerado muito bom", realçou o presidente da ERSAR, Jaime Melo Baptista.

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