Advogadas admitem recorrer da sentença.
Perseguição na pista do Aeroporto de Lisboa
Os quatro cidadãos argelinos que, no dia 30 de julho, invadiram a pista de aterragem do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, foram condenados a quatro anos de pena suspensa, por atentado à segurança de transporte por ar.
A sentença foi lida esta quinta-feira no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, onde estiveram a ser julgados em processo sumário.
Os quatro cidadãos argelinos estavam acusados dos crimes de introdução em local vedado ao público, atentado à segurança contra transporte por ar e, um deles, estava também acusado de violação de medida de interdição, por se encontrar impedido de entrar em Espanha, o que o impedia de entrar em qualquer país do espaço Schengen.
Os quatro arguidos foram absolvidos do crime de introdução em espaço vedado ao público.
Para a juiza Sofia Abreu, este é um crime semipúblico que carece de apresentação de queixa da entidade gestora do aeroporto, a ANA - Aeroportos de Portugal, que não o fez, não tendo por isso a juíza reconhecido legitimidade ao Ministério Público para os acusar deste crime, nem ao supervisor do aeroporto - um funcionário do aeroporto -, que apresentou a queixa.
O arguido que estava acusado do crime de violação de medida de interdição foi absolvido deste crime pelo tribunal, por não ter ficado provado que soubesse que, por estar proibido de entrar em Espanha, também estava proibido de entrar nos outros países do espaço Schengen.
Para a juíza, todos agiram com dolo direto, pois sabiam estar a pôr em perigo a vida dos passageiros dos aviões e de quem se encontrava a trabalhar, na pista do aeroporto.
No final da leitura da sentença, que ia sendo transmitida através de uma tradução parcelar - apenas dados que o tradutor considerava mais importantes -, os arguidos mantinham dúvidas sobre a possibilidade de irem parar à prisão, por terem sido condenados.
Só no final da sessão, a pedido de uma das advogadas de defesa, é que ficou claro para os quatro arguidos que a decisão era uma pena suspensa, passível de recurso, que ficariam à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e que o processo de pedido de asilo continuava em curso.
Advogadas de argelinos vão analisar sentença, mas admitem recorrer
No final do julgamento e em declarações à imprensa, uma das advogadas dos arguidos, Paula Cristina da Silva, admitiu vir a recorrer da sentença proferida esta quinta-feira, pela juíza Sofia Abreu, do Tribunal de Pequena Instância Criminal, sublinhando, no entanto, que ainda tem de "estudar muito bem a sentença".
Paula Cristina da Silva disse que o facto de os arguidos terem sido condenados a quatro anos de prisão, suspensa por igual período, não faz cair o pedido de asilo, que este continua em curso, e que as advogadas terão de estudar se o crime por que foram condenados - atentado à segurança de transporte por ar - se enquadra nos crimes tipificados na lei e que, quando praticados, proíbem que seja efetuado pedido de asilo.
Questionada sobre o facto de o julgamento sumário dos arguidos apenas ter tido tradução parcial, esta advogada entende ter havido violação do direito dos arguidos à tradução, alegando que a Convenção Europeia dos Direitos Humanos estabelece "que se deve assegurar a todos os cidadãos estrangeiros a tradução e interpretação de todo o processo penal".
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entende ainda que essa tradução não se deve cingir apenas às perguntas feitas pelos juízes, magistrados ou advogados, mas estender-se a todo o decurso da audiência, ou seja, a produção de prova, alegações finais do Ministério Público e das Defesas. E isso também não foi feito, frisou.
Questionada sobre se, no recurso, ia alegar este facto, Paula Cristina Silva disse "vamos ver", admitindo, no entanto, não ter alegado esse facto durante o julgamento, por "estratégia processual".
Por seu turno, Liliana Ferreira, advogada de um dos arguidos, mas que hoje defendeu dois por sub-estabelecimento de uma colega, disse à imprensa que vai analisar a sentença e "ponderar" se vai recorrer.
"A meu ver, quatro anos pelo crime [atentado à segurança de transporte por ar], com dolo -- sendo que eu continuo a dizer que houve aqui alguma negligência da parte deles --, é um bocadinho excessivo", mas isso terá de ser "analisado e ponderado".
Segundo Liliana Ferreira, os quatro argelinos ficaram "extremamente agradecidos com a decisão do tribunal", por terem sido condenados a pena suspensa e por dois crimes terem caído: o de introdução em espaço vedado ao público e o de violação da medida de interdição, que recaía sobre um dos arguidos.
A defesa dos quatro argelinos tem 30 dias para recorrer da decisão proferida hoje pela juíza Sofia Abreu, do Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa.
Questionada sobre se a condenação de hoje faz cair o pedido de asilo, já solicitado pelos quatro cidadãos argelinos ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Liliana Ferreira disse ter de estudar.
Acrescentou, porém, que o pedido de asilo está feito ao SEF, confirmado pelo tribunal e que cabe agora ao SEF analisar e ponderar, em entrevista pessoal, com os quatro requerentes de asilo, se há ou não fundamento para aceitar os pedidos.
No final da audiência de hoje, dois dos quatro argelinos manifestaram intenção de regressar à Argélia de forma voluntária.
"Os meus [constituintes] não manifestaram intenção de voltar", disse Liliana Ferreira, explicando que, para haver esse propósito, os requerentes terão "obrigatoriamente de escrever e pedir ao SEF a pedir a desistência do pedido que está a decorrer e que caberá ao SEF mandá-los voluntariamente para o país de origem".
Questionada sobre se vai ser retirado o pedido de asilo aos dois cidadãos que, no final da audiência, disseram que queriam voltar para o seu país, esta advogada disse que não sabe, alegando que, para o processo de asilo, deverão ser nomeados outros defensores oficiosos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.