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Correio da Manhã

Portugal
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Vídeo mostra operação contra tráfico de pessoas em Espanha e Portugal

Há cerca de 30 vítimas de origem portuguesa, entre elas uma menor de 16 anos. Cinco portugueses foram detidos.
Lusa 2 de Novembro de 2018 às 15:15
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Operação sef, guardia civil, pj espanha

Cinco portugueses foram detidos por suspeita de tráfico de seres humanos pela Guarda Civil espanhola, que, em colaboração com a Polícia Judiciária portuguesa e com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, desmantelou uma rede criminosa que traficava pessoas na Península Ibérica.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, a Guarda Civil espanhola indica que foram identificadas cerca de 30 vítimas de origem portuguesa, entre elas uma menor de 16 anos. Eram sobretudo pessoas que se encontravam a fazer trabalhos agrícolas em Navarra e La Rioja e que estavam em condições precárias.

Os cinco portugueses foram detidos por suspeitas de vários crimes de tráfico de seres humanos (quatro em Espanhal e um em Portugal), para exploração de mão de obra. Foi ainda investigado um cidadão espanhol.

As vítimas eram captadas em Portugal, sendo oriundas de contextos sociais muito vulneráveis, e a quem eram  oferecidas condições de trabalho aparentemente atrativas.

Em comunicado divulgado esta sexta-feir, a PJ confirma que esta força policial "com a intervenção direta do Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra, numa ação conjunta com a Guarda Civil espanhola, desmantelou uma associação criminosa que tinha por finalidade a realização de crimes de tráfico de pessoas, na vertente de exploração laboral, os quais ocorreram nos últimos anos"

No texto enviado às redações, acrescenta-se que "a operação "LUSAR" teve lugar no passado dia 16 de outubro, foram realizadas diversas buscas domiciliárias e não domiciliárias em Portugal, nas zonas de Sabugal, Belmonte, Covilhã e Santa Comba Dão, e em Espanha, na zona de Segóvia, durante as quais, através de mandados de detenção europeus e nacionais emitidos pelo DIAP de Coimbra, foram detidos cinco indivíduos de nacionalidade portuguesa, um em Portugal e quatro em Espanha".

Trabalhadores recrutados no Centro de Portugal

O método da rede passava pelo aliciamento das vítimas em Portugal, a maior parte na zona centro, aliciando-as para atrativos trabalhos agrícolas em território espanhol. A PJ detalha que "sendo a maioria das vítimas consideradas pessoas "especialmente vulneráveis", em razão da sua condição social e psicológica (pessoas sem referencias familiares, sem trabalho e com comportamentos aditivos), eram transportadas para os locais de trabalho, em Espanha, onde não tinham descanso adequado, não recebiam qualquer remuneração, sendo ainda sujeitos a uma alimentação e condições desumanas, ali permanecendo à mercê daquela organização criminosa, que recebia elevados proventos pelos trabalhos das vítimas".

A Polícia Judiciária fez deslocar uma equipa a Espanha, onde acompanhou as ações ali desenvolvidas, sendo que, reciprocamente, a Guarda Civil espanhola fez deslocar uma equipa a Portugal para acompanhar as ações realizadas em território nacional. Foram encontrados e apreendidos duas caçadeiras, munições, objetos vários e documentos correlacionados com os crimes praticados.

Ao detido em Portugal, após primeiro interrogatório judicial de arguido detido, foi aplicada a medida de coação de obrigação de permanência na habitação, com vigilância eletrónica, para além do termo de identidade e residência. Relativamente aos quatro detidos em território espanhol, depois de serem presentes em tribunal, perante o Juiz espanhol, aguardam extradição para Portugal, onde serão presentes às autoridades judiciárias da Comarca de Coimbra.

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