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Correio da Manhã

Portugal
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Queda da torre fatal para guarda prisional

"Avisaram-me que ele tinha morrido. Corri para lá e quando cheguei ainda vi o meu colega morto no chão”. É desta forma que Jorge Alves, colega de António Pinto, o guarda prisional que anteontem à noite foi encontrado morto na cadeia de Custóias, recorda o momento em que encontrou o homem de 45 anos já sem vida.
7 de Novembro de 2009 às 00:30
António Pinto caiu desta torre sem que ninguém se apercebesse. Era guarda há mais de vinte anos.
António Pinto caiu desta torre sem que ninguém se apercebesse. Era guarda há mais de vinte anos. FOTO: Rui Oliveira

António tinha entrado ao serviço numa das torres de vigia pelas 20h30. Nunca mais foi visto. Só  três horas depois, quando um colega se preparava para o substituir no posto, é que o corpo do guarda foi encontrado. “O outro guarda ia entrar ao trabalho e encontrou-o morto. Não sabemos há quanto tempo é que ele estava lá”, explica Jorge Alves, presidente do Sindicato da Guarda Prisional.

Ao que tudo indica, António ter-se-á sentido mal quando fazia a vigia. O homem terá tentado descer as escadas que dão acesso ao piso inferior mas acabou por cair de uma altura de cinco metros, tendo morte imediata. Contudo, só a autópsia poderá confirmar o que realmente aconteceu.

Ontem a consternação era bem evidente entre os colegas de António, que se queixavam das faltas de condições de segurança. “Há muito que nos queixamos de que os postos de vigia não têm segurança. Nunca quiseram saber e agora aconteceu isto”, afirmou Jorge Alves.

A vítima trabalhava na prisão de Custóias há mais de 20 anos. O funeral deverá realizar-se hoje. A Direcção-Geral dos Serviços Prisionais abriu um inquérito.

DEIXA ÓRFÃOS DOIS MENORES

António tinha dois filhos menores, um com 7 e outro com 11 anos. Natural de Paredes, residiu em Ermesinde com a mulher durante vários anos. Há poucos meses o casal separou-se e o homem pediu à direcção da prisão que lhe arranjasse uma das casas destinadas para os guardas. António fez obras na casa e recentemente mudou-se para lá sozinho. A trabalhar há mais de 20 anos em Custóias, o guarda era tido como um homem "trabalhador" e "amigo do seu amigo". O último contacto que o guarda tinha registado no telemóvel era precisamente uma chamada para um colega de trabalho.

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