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Correio da Manhã

Portugal
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QUEDA DESAMPARADA MATA TRABALHADOR DA CONSTRUÇÃO

Um trabalhador da construção civil morreu anteontem depois de ter caído de um telhado que reparava, com mais de 14 metros de altura.
19 de Junho de 2002 às 23:07
O acidente aconteceu nas instalações de uma empresa de produtos químicos da Castanheira do Ribatejo, Vila Franca de Xira.


"A nossa empresa só se pode pronunciar sobre o que se passou depois de terem sido reveladas as conclusões da comissão de inquérito que constituímos". Contactado pelo Correio da Manhã, o director-geral da empresa Ferro Indústrias Químicas, não se quis alongar muito em comentários.


No entanto, António Patrocínio foi claro. "A vítima deste acidente não pertencia aos quadros da Ferro", adiantou.


Nascido em Merciana, Alenquer, Júlio Alberto do Carmo Vieira residia em Castanheira do Ribatejo na companhia da mulher e de dois enteados.


Ligado à construção civil, Júlio trabalhava, há cerca de seis anos, na empresa José Maria e Filhos, responsável por empreitadas de várias obras de construção na zona. "Ele fazia vários tipos de trabalhos ligados à construção, sempre no interior das instalações da Ferro Indústrias", explicou ao nosso jornal Eduardo Augusto, um dos enteados de Júlio Vieira.

Subida fatal

Na manhã de terça-feira, Júlio Vieira apresentou-se ao trabalho, como sempre fazia, na Ferro Indústrias.


A tarefa que lhe foi distribuída para esse dia implicava que subisse ao telhado de um pavilhão destinado à produção de óxido de zinco, que necessitava de reparações.


Acompanhado por um colega, Júlio assim o fez, não ligando ambos aos cerca de 14 metros que os separavam do chão. "Ele estava habituado a trabalhar em alturas, e nunca tinha tido problemas", garantiu Eduardo Augusto.


Mas a subida feita por Júlio Vieira acabaria por se revelar a sua última. Pouco faltava para as 09h30 de terça-feira quando o trabalhador "colocou o pé mal posto", desiquilibrando-se da instável superfície onde se encontrava, o que levou a uma queda fatal de uma altura superior a 14 metros. "Diz quem viu que ele ainda suspirou três vezes, e depois morreu. O lado direito do corpo ficou todo rebentado", lamentou, comovido, o enteado de Júlio Vieira.


A família da vítima deslocou-se prontamente ao sítio do acidente, e foram muitas as dúvidas com que ficou. "Vi lá elementos da Inspecção Geral de Trabalho, mas o meu padrasto subiu lá para cima sem qualquer tipo de protecção para amparar uma eventual queda", apontou Eduardo Augusto.
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