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Correio da Manhã

Portugal
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Queimada com gasolina

Uma jovem funcionária de um posto de combustíveis em Ovar foi regada com gasolina e queimada por um ex-namorado, na noite de anteontem, ao que tudo indica por se recusar a reatar a relação, da qual resultou uma filha com quatro meses.
5 de Janeiro de 2005 às 00:00
A vítima, Vânia Silva, de 18 anos, encontra-se em estado considerado grave no Hospital da Prelada, no Porto, e o agressor, de 20 anos, está a monte, presumindo-se que possa já estar fora do País.
Ao que o Correio da Manhã apurou, o indivíduo em causa, Luís Brito, apesar da sua juventude tem atrás de si uma história de grande violência. “Há cerca de seis anos, quando tinha apenas 14, foi indiciado pelo homicídio de um rapaz deficiente, mas nunca chegou a responder na Justiça por ser menor. Mais recentemente, a PSP de Ovar referenciou-o em vários processos por furto e agressões com arma (à namorada e aos pais desta)”, segundo confirma fonte policial.
EURO E MEIO DE GASOLINA
De acordo com todos os dados disponíveis, nomeadamente através das câmaras de vigilância da bomba de gasolina, o agressor, que desde há um mês estava emigrado na Inglaterra, terá planeado imolar a jovem com gasolina. “Ele esteve no posto às 13h46 para encher um euro e meio de gasolina numa garrafa e voltou cerca das 18h00 para falar com a Vânia, mas esta mandou-o embora”, refere João Borges, gerente das bombas.
Também uma outra funcionária presente confirma que “o rapaz veio com aquela carinha dele de menino – parece um anjinho –, mas a Vânia não lhe deu troco” e acrescenta: “Como ele insistiu tanto e estava um bocado nervoso, resolvi pôr o gerente ao corrente do que se tinha passado.”
É a partir desta chamada de atenção que João Borges fica de olho nas câmaras de vigilância e detecta a presença do rapaz na loja de conveniência, às 19h30, em atitudes estranhas com a sua funcionária. “Quando vou lá para perguntar o que se passa já ele a tinha regado com gasolina. Ela veio a correr para mim e quando se voltou foi o momento em que o sujeito lhe chegou o isqueiro e fugiu”, conta.
Vânia foi ajudada pelo gerente e por um cliente, que usaram um extintor para apagar as chamas, que a envolveram na zona do peito e membros inferiores.
Enquanto aguarda pela evolução clínica da filha, Maria do Céu contou ao CM que “tudo isto aconteceu quando já se julgava que ele não voltaria a agredi-la e quando a Vânia estava finalmente a endireitar a vida”.
Segundo a progenitora, a relação da filha com Luís foi do seu conhecimento há cerca de um ano, altura em que ela engravidou. “Não sei muito do passado dele, mas nunca aceitámos o namoro, muito menos depois dele ser violento com ela e até connosco”, confidencia.
Agora, Maria do Céu só espera que o agressor seja detido, até por razões de segurança da família e da bebé, e que a filha recupere. “Os médicos já disseram que ela vai fazer várias cirurgias plásticas, mas que é um processo que pode demorar largos meses”, refere.
OUTROS CASOS
ÁCIDO SULFÚRICO
Fátima foi ter com Nuno Mendes ao emprego de onde saíram de viatura para uma zona discreta em Carreira de Água, Leiria, em 2001. Sentados lado a lado, a jovem disse ao namorado, de 23 anos: “Não és para mim, não és para ninguém.” Depois despejou-lhe uma garrafa de ácido sulfúrico. Passados 23 dias, o jovem morreu.
ÁLCOOL NA DISCOTECA
Uma mulher, 22 anos, sofreu queimaduras graves ao ser regada com álcool e ateada com um isqueiro, no interior de uma discoteca em Óbidos. A agressão, dia 19 de Abril, surgiu na sequência de um desentendimento com uma outra funcionária da discoteca. As autoridades detiveram um casal de brasileiros, suspeitos do crime.
INCENDIOU A MÃE
Uma mulher, 53 anos, foi esfaqueada, regada com gasolina e queimada até à morte por um filho de 24 anos. Tudo aconteceu no dia 2 de Janeiro do ano passado, numa casa de banho do Centro de Saúde da Lousã, para onde a mulher fugiu depois de ser ameaçada.
QUEIMADO NA RUA
José Silva, 32 anos, quando regressava a casa na Lousada, dia 17 de Abril, foi imobilizado por quatro encapuzados que o agrediram, regaram com um líquido inflamável e atearam-lhe fogo num pequeno descampado para onde o arrastaram. A vítima ficou gravemente ferida.
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