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Correio da Manhã

Portugal
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QUEIXA CONTRA PADRE POR PRÁTICAS PEDÓFILAS

O Ministério da Solidariedade Social entregou ao Ministério Público o relatório da Inspecção-Geral da Segurança Social sobre pedofilia no Centro Social e Paroquial de Vila Marim, Mesão Frio. “Os indícios de tais práticas são muito fortes", disse ao CM fonte do Ministério. Em causa, o padre Zeferino e o seu motorista Fernando.
23 de Outubro de 2003 às 00:00
QUEIXA CONTRA PADRE POR PRÁTICAS PEDÓFILAS
QUEIXA CONTRA PADRE POR PRÁTICAS PEDÓFILAS FOTO: d.r.
O processo foi desencadeado em Fevereiro deste ano, por Paulo Taveira, técnico de Acção Social, que tinha a seu cargo as 'crianças em risco' colocadas no Centro Paroquial de Vila Marim. O técnico escreveu duas cartas para o Centro de Regional de Segurança Social, de Vila Real, onde dava conta dos relatos feitos por dois menores, com 12 e 10 anos, de que teriam mantido práticas sexuais com o padre, o seu secretário, e um amigo destes.
Na primeira carta (datada de 11 de Fevereiro deste ano), Paulo Taveira escreve o seguinte: “O jovem (12 anos) disse-me que ele e um colega costumavam ir a casa de um senhor de Vila Marim, com quem mantinham práticas sexuais a troco de dinheiro. No dia seguinte chamei ao meu gabinete o outro jovem referenciado (de 10 anos), que na presença da professora confirmou todos os factos descritos pelo colega”. O técnico diz ainda que o jovem confessou que aliciava outros menores, também eles alunos do Centro Paroquial de Vila Marim: “Os adultos exerciam sevícias sobre os dois jovens e eles faziam o mesmo aos colegas mais novos”.
Na segunda carta, Paulo Taveira dá mais explicações: “O jovem (10 anos) afirmou que todos os sábados, no período da manhã, ia para casa do padre Zeferino, onde trocava favores sexuais com o sacerdote e o seu secretário a troco de dinheiro que posteriormente distribuía por alguns colegas do Centro", finaliza.
O CM procurou confrontar o padre Zeferino com estes relatos, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição. Recorde-se que, recentemente, o sacerdote em causa afirmou a uma estação de televisão: “Em relação a este caso eu sei tudo - não existe pedofilia em Vila Marim”. O padre Zeferino já deixou a direcção do Centro Paroquial de Vila Marim.
SEM SALÁRIOS HÁ QUATRO MESES
As 17 funcionárias do Centro Paroquial e Social de Vila Marim, Mesão Frio, estão desde ontem proibidas de assinar o livro de ponto, depois de não receberem os seus salários há quatro meses, e temem pelo encerramento da instituição.
O centro, que funciona com quatro valências (creche, centro de dia, ATL e apoio domiciliário a idosos), tem uma dívida de 108 mil euros. "Mantivemos a casa aberta, sempre com a esperança de que o Ministério teria em atenção as 60 crianças, os 20 doentes acamados em situação grave e os utentes do Centro de Dia a quem fornecemos três refeições por dia. Na passada segunda-feira recebemos a indicação de que não tinham conseguido o empréstimo por falta do apoio do Ministério do Trabalho”, relata uma funcionária. Conhecedor da situação, o presidente da Câmara de Mesão Frio solicitou às funcionárias que não abandonassem os idosos e as crianças até sexta-feira, altura em que prometeu encontrar uma solução.
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