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Correio da Manhã

Portugal
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QUEM SALVA AMARANTE DESTE PRESIDENTE?

Não param de surgir ilegalidades nos Bombeiros Voluntários de Amarante. São protagonizadas por Ilídio Pinto, líder da Comissão de Gestão da instituição até que se realize novo acto eleitoral, depois do tribunal da comarca ter decretado nulas as eleições de Dezembro.
3 de Julho de 2004 às 00:00
Em Outubro de 2003, uma família de Vila Caiz, em Amarante, telefonou para os bombeiros a pedir ajuda para transportar uma mulher, em estado grave, ao hospital da cidade. Ilídio Pinto, na altura presidente da direcção, pegou numa ambulância, levou consigo um jovem, ajudante de mecânico, e deslocou-se ao local para fazer o transporte. Um gesto louvável pela disponibilidade, mas a todos os títulos ilegal face aos regulamentos dos bombeiros.
Presidente e ajudante de mecânico, ajudados por vizinhos e familiares da paciente, ainda chegaram a trazê-la para fora de casa na maca, mas acabaram por não transportá-la – alegadamente, já estava morta. Ao CM, os vizinhos exibiram dúvidas. Um deles afirmou ter ficado “com a impressão que a vizinha ainda estava viva”. No entanto, a filha da vítima tem outra versão: “Eles ainda a tiraram para fora de casa, mas reparámos que já estava morta e decidimos que não valia a pena transportá-la ao hospital”. Num dado todos estão de acordo – era Ilídio Pinto que conduzia a ambulância. E a pergunta impõe-se: que qualificações técnicas têm um civil e um aprendiz de mecânico para verificar se um doente está morto?
Nas últimas eleições autárquicas, Ilídio Pinto concorreu à reeleição para presidente da Junta de Freguesia de Carvalho de Rei, cargo que ganhou e ainda ocupa. O CM apurou que, na campanha, usou uma viatura de nove lugares, pertencente aos bombeiros, para levar idosos acamados a votar. Só impôs uma condição: que o bombeiro a conduzir a carrinha pudesse acompanhar os eleitores às urnas, com a indicação de que os votos tinham de ser para a lista em que se candidatava.
DOENTINHO
Na posse de uma cópia da decisão do Tribunal de Amarante, que decretou a realização de eleições para os Bombeiros, o CM interrogou Lourenço Nunes de Freitas, presidente da assembleia-geral da instituição, sobre a data do novo acto eleitoral. O visado, a quem compete marcar e regular as eleições, disse, visivelmente incomodado: “Não quero saber dessas coisas. Fiz recentemente uma operação ao coração, estou em convalescença e não me posso incomodar. Procure essas informações junto do presidente dos bombeiros”.
Mais uma vez, o CM tentou contactar Ilídio Pinto. Desde a saída da primeira notícia, porém, ele recusa-se a prestar declarações.
'NÃO ME PAGOU FACTURA'
José Reis, construtor civil, acusa Ilídio Pinto de não lhe pagar obras no quartel dos bombeiros de Amarante. “Concorri às obras e, quando estava a realizá-las, o presidente solicitou trabalhos extras, dizendo que depois se faria o acerto, dado não estarem no orçamento. Quando apresentei a facturação, não me pagou, alegando que não tinha a totalidade do dinheiro da factura. Propôs pagar-me uma parte desde que lhe passasse a factura com o total, que o restante seria liquidado mais tarde. Como não queria passar factura e pagar o IVA, propus facturar o que iria receber. Ilídio Pinto negou e disse-me que tinha de passar a factura no total. Como não quis, até hoje as obras que realizei estão por liquidar”.
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