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Correio da Manhã

Portugal
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Quercus convida a desligar

Um gesto tão simples como desligar os aparelhos no botão, e não apenas no comando, traduz-se em reduções substanciais na conta da electricidade. Mas há muitas outras formas de poupança. Quem quiser poupar electricidade e dinheiro, desde que resida em Lisboa ou Oeiras, é o candidato ideal ao Projecto EcoFamílias da Quercus. As inscrições decorrem até ao próximo dia 15 de Abril.
28 de Março de 2005 às 00:00
As ecofamílias serão agregados familiares seleccionados que, durante um ano, terão acompanhamento de técnicos especializados cuja missão é reduzir o consumo de energia e melhorar o conforto térmico das casas.
O desempenho das ecofamílias será avaliado em visitas regulares daqueles especialistas às casas escolhidas, para avaliar aspectos como a temperatura, humidade, consumo de electricidade e consumo de gás.
A associação ambientalista Quercus recebe, até ao próximo dia 15 de Abril, candidaturas das famílias interessadas através do endereço electrónico criado para o efeito: info@ecocasa.org ou do número de telefone 21 778 20 90. No final, serão seleccionadas apenas 20.
LÂMPADA FLUORUSCENTE
São muitas as opções de consumo e comportamentos que resultam em poupança de energia no dia-a-dia. Basta mudar uma lâmpada.
Substituir uma lâmpada incandescente de 100 watts de potência por uma fluorescente compacta equivalente (de alta eficiência), considerando o uso de quatro horas diárias, pode levar a uma poupança mínima de 55 euros ao fim de quatro anos. Inclui-se no cálculo a substituição de lâmpadas e os custos associados ao consumo de electricidade.
Desligar os aparelhos no botão, em vez de os desligar no comando, faz com que uma família média portuguesa poupe 40 euros por ano. Mais um exemplo: baixar o lume dos cozinhados após estes iniciarem a fervura consome menos e mantém a temperatura da cozedura.
SÓ 2 POR CENTO DE ALTERNATIVAS
Cerca de 16 por cento da energia consumida em Portugal é da responsabilidade do sector doméstico. Daquele total, mais de 60 por cento é usada sob forma de electricidade.
Em Portugal, a electricidade é produzida maioritariamente – 57 por cento – através do uso de combustíveis fósseis, nas centrais termoeléctricas. Depois surgem as grandes barragens, que produzem 41 por cento e, de forma ainda residual, as energias alternativas (eólica, biomassa, mini-hídricas, solar, geotérmica, etc.), com 2 por cento do total. Em anos de seca a proporção da energia obtida a partir dos combustíveis fósseis ganha maior relevo.
Dentro de uma casa, os aparelhos de frio, que estão ligados durante todo o dia, são aqueles que consomem mais energia – cerca de 22 por cento.
AVALIAÇÃO À DISTÂNCIA
A par das ecofamílias, que serão visitadas por especialistas em energia, a Quercus pretende escolher 50 tele-ecofamílias, dispersas por todo o País. Neste caso, a avaliação da situação e as sugestões de poupança serão feitos através do telefone ou de meios electrónicos e/ou correio. A evolução das contas do gás e electricidade será igualmente avaliada.
Aqueles que não pretendam sujeitar-se a tal escrutínio, mas queiram, mesmo assim, esforçar-se no sentido de poupar energia, podem informar-se na site www.ecocasa.org. A Quercus disponibilizou ainda uma linha telefónica (21 778 20 90) para fornecer conselhos úteis. A linha Ecocasa funciona entre as 10h00 e as 17h00.
EM DEMASIA
CONSUMO
O consumo de electricidade entre 2003 e 2004, numa altura de estagnação económica, aumentou 6 por cento. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu menos de 1 por cento. Comparando os meses de Janeiro de 2004 e 2005, o aumento do consumo de electricidade foi de 9 por cento.
POLUIÇÃO
Em período de seca quase toda a produção da electricidade em Portuggal depende das centrais termoeléctricas, o que resulta em maior poluição atmosférica. As centrais emitem óxidos de azoto, dióxido de enxofre e dióxido de carbono, um dos principais gases de efeito de estufa.
QUIOTO
A Quercus estima que, em 2004, Portugal possa ter já atingido 50 por cento de aumento nas emissões de gases de efeito de estufa em relação a 1990, quando o Protocolo de Quioto não permite um aumento superior a 27 por cento para 2008-2010. Portugal já está em incumprimento.
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