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Correio da Manhã

Portugal
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Queremos ser um competidor global

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) faz hoje 80 anos, idade que permite já ter construído uma tradição, mas que lhe confere uma experiência que a predispõe para abraçar os novos desafios. Pelo menos essa é a vontade do seu director, Carlos Costa, que pretende fazer da FEUP uma instituição reconhecida internacionalmente.
19 de Novembro de 2006 às 00:00
“O nosso grande objectivo é ser um ‘player’ em termos europeus. Queremos colocar-nos num patamar que permita, em algumas áreas da Engenharia, ser um competidor global. Queremos vender os nossos produtos de formação, numa escala geográfica mais abrangente do que Portugal”, afirma Carlos Costa.
Para atingir esse objectivo, o director da FEUP quer “ter 50 por cento dos alunos de pós-graduação que não sejam de nacionalidade portuguesa em dez anos”.
Além do fortalecimento da imagem da faculdade, essa internacionalização implicará uma melhor preparação dos alunos para o mercado de trabalho. “Queremos um ambiente multicultural, porque os ambientes profissionais são assim. Se pudermos proporcionar um ambiente desse tipo aos nossos estudantes, melhor”, sublinha Carlos Costa.
Em 80 anos houve muitas mudanças na FEUP.
Uma das mudanças mais importantes foi a nível pedagógico. “Começámos a fazer formação dos nossos professores em 1995, com as novas técnicas de ensino mais centradas no aluno. É uma mudança cultural, lenta e reformista. Dos alunos como aprendem, mas também dos professores como ensinam. Os Estados Unidos são o nosso exemplo, mas mesmo aí demorou sete anos a fazer”, lembra Carlos Costa.
Os índices de empregabilidade dos alunos da FEUP revela que 95 por cento dos licenciados em 2005 exerce a sua actividade profissional na área de estudo. Para isso, muito contribui “a preocupação que temos na ligação com mercado de trabalho e ex-alunos”.
Os recentes cortes do Orçamento de Estado (OE) não atingem directamente a FEUP que se protegeu através de uma “gestão criteriosa”. “Dispomos de algumas reservas que nos permitem enfrentar esta situação”, diz o director. “Temos 52 por cento de independência em relação ao OE”, garante.
PERFIL
Director da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) desde 2001, Carlos Costa nasceu no Porto, em 1948. Licenciou-se em Engenharia Química na FEUP, em 1971, e chegou a catedrático em 1996. Actualmente, o director da FEUP é ainda membro da Ordem dos Engenheiros, da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, da Sociedade Portuguesa de Química, da International Adsorption Society e da American Institution of Chemical Engineers.
ALUNOS FAMOSOS
Belmiro de Azevedo (Sonae), Ludgero Marques (presidente da Associação Empresarial de Portugal), António Mota (Mota Engil) e Manuel Ferreira de Oliveira (Unicer), além de empresários de sucesso, têm outra coisa em comum: estudaram na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Formado em Engenharia Química Industrial, em 1963, o líder da Sonae diz que “o seu curso coloca o conhecimento ao serviço da inovação e do investimento, condição indispensável para o progresso”. António Mota, da construtora Mota Engil, mantém a ligação à FEUP com o prémio que a empresa dá anualmente ao melhor aluno da faculdade.
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