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Correio da Manhã

Portugal
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QUERIA MATAR AUTARCA

O presidente da Junta de Freguesia de Valongo do Vouga, em Águeda, foi ameaçado de morte por um munícipe e só escapou à fúria do indivíduo devido à intervenção da GNR. A patrulha teve de se esforçar para efectuar a detenção e dois militares foram mesmo agredidos ao murro, pontapé e à dentada.
25 de Janeiro de 2003 às 00:00
O autarca, Carlos Alberto Pereira, não ganhou para o susto, ao final da tarde da passada quinta-feira, quando constatou que “determinada pessoa se encontrava armada no exterior do edifício da Junta, a dizer que ia cortar o pescoço ao presidente”, tal como contou ao CM.
O agressor, de 39 anos, “tem já alguns problemas com a Polícia e provém de uma família com vários problemas”, acrescentou.

Por isso, Carlos Pereira não hesitou em chamar a GNR. A detenção haveria de ser consumada a custo, mas o juiz de instrução criminal determinou ontem que o indivíduo saísse em liberdade, com termo de identidade e residência.

O autor das ameaças e agressões é, segundo o autarca, “o pai de um rapaz que há cerca de quatro anos sofreu um acidente com uma máquina, no decurso das obras de saneamento da freguesia”. A origem da violência “tem a ver com uma decisão do tribunal, há cerca de uma semana, que decretou que o dinheiro da indemnização devia ser colocado numa conta gerida pelo presidente da Junta até que a vítima completasse 18 anos”.

O autarca defende que esta decisão judicial foi tomada por a família não ter condições para gerir o dinheiro. “Mas ele quer que a verba lhe seja entregue. Para este homem, a culpa é toda minha e eu sou um ladrão.”

JUNTA AJUDA AGRESSOR

A família do indivíduo que anteontem protagonizou a ameaça de assassinato do presidente da Junta de Valongo do Vouga, no concelho de Águeda, há vários anos que recebe ajuda financeira dessa autarquia.

A casa humilde onde mora o casal e mais quatro filhos, entre eles dois deficientes, foi adquirida pela Junta de Freguesia, para evitar o despejo, mas a família nunca pagou qualquer renda.

Quando há quatro anos, o pequeno Bruno perdeu uma perna, colhida por um cilindro, a Junta assumiu a liderança do processo em tribunal, contra o construtor civil e a seguradora, e conseguiu obter uma indemnização para o menor de 150 mil euros. Essa verba está a ser gerida pelo autarca local até à maioridade da vítima, mas o pai não se conforma e quer receber já a totalidade da verba.
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