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Correio da Manhã

Portugal
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Queria ter o meu filho Romário perto de mim

Quando perguntam a Maria de Fátima qual a prenda que desejaria receber este Natal não hesita um segundo. “Queria ter o meu filho Romário perto de mim”, confessa com um sorriso de orelha a orelha. Acto contínuo o sorriso murcha já que sabe que é um milagre quase impossível de realizar.
16 de Dezembro de 2004 às 00:00
Maria de Fátima vai passar mais um Natal longe do filho que ficou em Cabo Verde
Maria de Fátima vai passar mais um Natal longe do filho que ficou em Cabo Verde FOTO: Pedro Catarino
”Continuo à espera de uma resposta do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para poder trazer o meu filho de Cabo Verde”, informa. Há quase três meses que espera por uma resposta.“ O processo segue os trâmites normais”, disse ao Correio da Manhã fonte do SEF.
Com o passar do tempo Maria de Fátima começa a perder a esperança. “ Matriculei o meu filho na Escola C S do Alto dos Moinhos, mas já começo pensar que este ano ele não virá”, desabafa. Como ela há um sem número de titulares da Autorização de Residência que apelaram ao reagrupamento familiar e aguardam luz verde do SEF. “É um processo anormalmente moroso. É normal entre dois a três anos por uma resposta”, disse ao CM, António Neves, um advogado especialista neste tipo de casos. Dito isto acrescenta: “Quando solicitamos informação sobre os processos em curso a resposta que nos dão é sempre a mesma. Desculpam-se com a falta de gente e com o grande número de pedidos”.
Mária de Fátima nunca ouviu desculpas. Só silêncio. Ela pensa que é um mau sinal e por isso vai enviar pelo correio o equipamento do Benfica que Romário lhe pediu para o Natal. Só é pena que a burocracia não tenha sentimento.
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