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Correio da Manhã

Portugal
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Quinta do Mocho marcha pela paz

O Renault 9 castanho ia à frente e avançava devagar. Miúdos e graúdos, pouco mais de uma centena, seguiam atrás com cartazes contra a violência e a favor da segurança: “Queremos um bairro mais seguro.”
19 de Março de 2005 às 00:00
Duas semanas depois do previsto, a ‘Marcha pela Paz’ atravessou ontem a Quinta do Mocho, em Sacavém, passando as mesmas ruas onde, dizem os moradores, todos os dias ocorrem assaltos e agressões. E embora poucos acreditem que a realidade mude nos próximos dias, a iniciativa, vigiada de perto por vinte elementos da PSP, serviu para trazer muita gente à janela. Mas poucos saíram à rua.
“É dia de trabalho e acredito que, se fosse sábado, haveria mais gente. Tenho pena que haja poucos adultos. Era importante que os moradores participassem para que a situação mudasse”, lamentou José Queta, da Associação Unida e Cultural da Quinta do Mocho, uma das organizadoras da marcha.
A palavra “situação” significa, na Quinta do Mocho, assaltos e agressões quase diários e tiroteios esporádicos entre grupos do bairro e da zona da Apelação, também em Sacavém. “Isto é mau”, queixou-se Domingas, uma moradora. “Se um taxista ou fornecedor é assaltado, os outros nunca mais aparecem. “Um dos últimos a desaparecer foi o carteiro e, dizem alguns moradores, há vários dias que não há cartas em certas zonas do bairro.
A abertura de uma esquadra da PSP no bairro – que, segundo a Câmara de Loures, foi prometida pela administração central, mas nunca chegou a aparecer – seria, para José Queta, “uma forma de ajudar a resolver os problemas”. O presidente da junta de freguesia de Sacavém, por seu lado, não acredita na promessa. “Acho que não vai abrir. Queríamos oferecer um carro à PSP, para ter dois agentes nestes bairros, mas a oferta foi recusada”, disse Fernando Marcios.
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